Sociedade

“Amigos da Cidade de São Tomé” estão decepcionados e vão abandonar a recuperação da capital

Os Amigos da Cidade são a mais expressiva manifestação da sociedade civil santomense registada nos últimos 30 anos. Nasceram em março de 2023. 164 cidadãos nacionais no país e na diáspora uniram forças e contribuíram financeiramente para uma causa nacional. A recuperação dos bancos públicos, passeios e jardins da cidade de São Tomé.

Os Amigos da Cidade tinham um sonho, devolver à centenária cidade de São Tomé o estatuto perdido sobretudo depois de 1991, de cidade mais linda e limpa de África.

Era preciso mudar o cenário das ruas de São Tomé, equiparado ao de uma capital que tinha sofrido um bombardeamento aéreo. Apesar das dificuldades financeiras que as famílias e o mundo vivem, os cidadãos reunidos como Amigos da Cidade, disponibilizaram dinheiro e ao mesmo tempo angariaram patrocínios sobretudo os que vivem no estrangeiro, para devolver honra e dignidade à capital que tinha sido vandalizada.

Os Amigos da Cidade trabalharam dia e noite. Removeram os escombros e ergueram novos bancos públicos nas principais avenidas da cidade, nomeadamente, na longa avenida da independência, que liga a Igreja da Sé e o palácio presidencial, ao “defunto” Clube Náutico.

«Contactei pessoas amigas dentro e fora do país. Angariou- se dinheiro, e recuperou-se 42 bancos públicos desde o cruzamento da CST e ao longo da estrada que vai para o palácio dos congressos», declarou Maise Bragança, coordenadora dos Amigos da Cidade.

Os passeios danificados como se uma bomba tivesse caído sobre eles, também foram recuperados. «Recuperamos também 2 passeios», confirmou Maise Bragança.

Os Amigos da Cidade empenharam-se também na reconstrução dos jardins que no passado longínquo ornamentavam os passeios da antiga bela cidade de São Tomé.

«A nossa iniciativa visou atenuar o estado de degradação da cidade. Somos um país sem jardim», afirmou Maise Bragança.

Aos poucos, parte da cidade de São Tomé começou a brilhar. O primeiro exemplo da força que a sociedade civil pode ter na edificação de uma sociedade e de um país, estava patente aos olhos de todos. Mas, foi sol de pouca dura.

O Estado santomense que já tinha perdido a sua autoridade há mais de 30 anos, tendo convivido com o vandalismo que destruiu a capital e as demais infraestruturas do interior (Roças), não reagiu contra aquilo que ao que tudo indica passou a ser normal e legal na República, o vandalismo.

«Os passeios e os bancos públicos foram recuperados com sacrifício, e agora são utilizados como trampolim de uma oficina de rua, que lá se encontra», denunciou Maise Bragança.

Foto Maise Bragança – Oficina mecânica na via pública diante do palácio presidencial usa banco reabilitado

Os jardins cultivados pelos Amigos da Cidade terão talvez provocado choque ao reino dos Vândalos. «Danificaram o jardim que fizemos dentro dos passeios. A população pisou e arrancou as flores», reclamou a coordenadora dos Amigos da Cidade.

Os bancos públicos também não estão sendo poupados. «Ainda nesta semana partiram 4 bancos públicos que foram recuperados» acrescentou.

Quando não são partidos, os bancos públicos são transformados em mesa de mercado, para venda de roupas de fardo ou então para descansar os pés. Os vândalos sentam no vértice superior dos bancos e fixa os dois pés no assento.

Tudo acontece na avenida da independência, ou seja, na porta de entrada do Palácio do Povo, residência oficial do Presidente da República e Chefe de Estado. Os Amigos da Cidade dizem que já perceberam tudo. O país mudou radicalmente. A iniciativa civil de bem fazer, de reconstruir o país e a nação, sem envolvimento com os partidos políticos-dirigentes, não tem qualquer protecção do Estado que nasceu após a proclamação da segunda República em 1991.

«A tendência é desistir, as pessoas fazem essa contribuição com amor ao país, mas diante da situação só resta desistir», pontuou Maise Bragança.

Os Amigos da Cidade prometem que assim que terminarem a requalificação do último bloco de passeio da avenida da independência será dado fim ao projecto cívico, que pretendia recuperar os escombros que passaram a ornamentar as ruas da cidade de São Tomé.

Abel Veiga

17 Comments

17 Comments

  1. Muito preocupado

    24 de Junho de 2024 at 8:51

    Eu quero saber qual será a reacção da Polícia Nacional e da Câmara Distrital de Agua Grande. Não é possível a passividade e o deixar andar que tomou conta das nossas autoridades. Meus senhores, o exercício de cargos públicos implica ter a coragem de tomar medidas contra os prevaricadores. Se não têm coragem para o efeito, mudem de atividade. Nenhum país se desenvolve sem a autoridade de Estado.

  2. boca pito

    24 de Junho de 2024 at 9:18

    Ok.
    Uma vez mais, a velha máxima: “A mulher de César, não basta parecer séria, tem que ser séria”.
    Não adianta apenas ter boa vontade para que as coisas boas sejam feitas neste país. Temos que ter uma política consistente de resiliência, usando a autoridade do Estado para o efeito. Enquanto continuarmos a ser uma República das bananas e de Sem Vergonha, nada que se preconize do bem e bonito, vingará. Isto porque, havendo segurança a fazer o seu verdadeiro papel, aquele que for apanhado apanhará uma castanha na medida grossa que fá-lo-á nunca mais repetir esta mesma malcriação e vandalismo, seja ele quem for.
    Mas…enfim…

  3. Celio Afonso

    24 de Junho de 2024 at 9:47

    O país entregue aos vândalos.
    Ninguém se preocupa à sério com STP!
    Portanto…

  4. As

    24 de Junho de 2024 at 10:29

    Onde esta a TVS e RNSTP ? para fazer as devidas divulgação de forma que o povo saiba que realmente essas informação do vandalismo chegou ao conhecimento dos ditos dirigentes do país das banana.
    Onde esta Policia Nacional, parece que os Policias são recrutados para pegar somente o motoqueiros ?
    Onde estão os Seguranças do Palácio do Povo?

  5. ANCA

    24 de Junho de 2024 at 11:49

    Desistir nunca

    Somos cidadãos desta terra, jamais devemos atirar a toalha ao chão.

    Devemos sim mudar de estratégias, como tenho referido aqui, antes de realizarmos qualquer projeto temos que ter de antemão o conceito de segurança em todos os aspectos e sentidos

    Apesar de ser desanimador o tempo é de parceria estratégica, com instituições e entidades, ministérios, sociedade civil organizada, para ações coordenadas, sinergias, assim se ajuda a construir o futuro e o País, território, população, administração, mar e rios

    Pese embora as autoridades, nomeadamente, a administração interna, a justiça, a educação, a saber destas iniciativas e projetos nada agilizar, de modo a garantir a segurança e bom porto, destes projetos

    Tenho referido aqui necessidade de redefinição da competência, das autarquias locais, nos seus objetivos, falta de ordenamento do território, falta de planos de desenvolvimento nacional, regional e local, que podem e devem ter contributos da sociedade civil organizada.

    O Sr. Presidente da Republica, O Sr. Presidente da Região Autónoma do Príncipe que seja o motor desta iniciativa, junto ao parlamento, ao governo de modo a alterarmos o quadro, o modelo, é necessário mudar de paradigma.

    Ordenamento do Território

    Educação, formação civil, segurança e ordem interna

    Autoridade do Estado

    Se nasceste aqui, tu és capaz

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Ajuda a desenvolver o teu país

    São Tomé e Príncipe

    • ANCA

      24 de Junho de 2024 at 19:33

      O conceito, as competências, as atribuições, aquilo que devem ser as receitas financeiras das autarquias locais, evoluiu muito até o presente, convinha, refrescar esses conceitos para melhor definição daquilo que deve ser ou se espera ser a gestão qualitativa dum município, ou cidade conforme queiramos chamar,…

      As autarquias locais é ou devem ou pelo menos deviam ser composto por mandatos à assembleia local, e a presidência do municipio, o muncipio deve ser composto por pelouro, pelouro da habitação, pelouro da educação, da cultura, do urbanismo, pelouro das finanças, pelouro do saneamento do meio, do desporto, do turismo,etc,…que devem levar ao cabo políticos locais de desenvolvimento, planos de desenvolvimento local para areas atrás definidas,…

      O que temos tido no país, assemelha se a gestão de um rua ou nem isso quanto a atribuição de competências, daquilo que são ou deveriam ser as receitas das autarquias locais.

      Nesta acepção é chegada altura de rever a lei das autarquias locais ou se quisermos da gestão dos distritos quer quanto a sua gestão, atribuição e competências, quer quanto as finanças dos municípios, precisamos urgentemente de uma comissão ad doc, que trabalhe nesta modernização.

      Hoje com a problemática da educação, do ambiente, do bom ordenamento do território, investimentos, infraestruturas, finanças locais, a questão na segurança, saneamento do meio, gestão das praias, a questõesda cultura, gestão dos rios, da agua, etc etc, podem ser em parte descentralizadas, para o bem dos distritos, do desenvolvimento das comunidades locais distritais

      Há que refletir sobre isto e implementar devidas mudanças, necessidade de um debate alargado sobre esta matéria.

  6. Lucas

    24 de Junho de 2024 at 14:07

    Somos indepeendentes
    Temos liberdade
    Os banco era pros branco
    Kinga rosa?
    Sem vergonha

  7. Mepoçom

    24 de Junho de 2024 at 15:22

    Não vivemos para o bem, vivemos para o mal, depois andamos a culpabilizar os colonos, até quando? É disto que não gosto ouvir dizer que tínhamos nossas culturas. Cultura tribal? Tira macaco da selva, selva não sai no seu interior.

    • Mepoçom Baza

      24 de Junho de 2024 at 21:45

      Mepoçom e os colonos vivem para o mal porque são macacos selvagens sem remédio. Escravatura acabou. Não queremos.
      Baza!

  8. Atento

    24 de Junho de 2024 at 16:38

    A culpa é do colono branco

  9. Madiba

    24 de Junho de 2024 at 16:43

    A dada altura alguém disse “Desistindo nunca se ganha guerra”. Não desistam por favor.

  10. Frances

    25 de Junho de 2024 at 6:32

    Onde a ordem publica onde entao as autoridades uma vergonha( as pessoas tornarao animais farapados) dirigentes so sao psra ta no poder e fazer a sua vida .que vergonha .bichos ondes entao os lambebotas .wuerem trazer a distruicao a galinheira so que ordem publica em portugal funciona com bastao etc

  11. António Fernandes

    25 de Junho de 2024 at 7:27

    A culpa é dos colonizadores que deixaram o país há 50 anos

  12. Africano

    25 de Junho de 2024 at 8:10

    Ainda continuamos com a pensamento do tempo das cavernas, triste realidade e falta de civismo preservação do bem público nunca dependerá somente das autoridades mas sim de mudança de mentalidade na população. Eu solidarizo com “Amigos da Cidade de São Tomé”

  13. Santo

    25 de Junho de 2024 at 9:26

    Devemos acarinhar boas iniciativas e peço aos amigos da cidade de S. Tomé a envolver na equipa Câmara Distrital de Água Grande, policiais, militares, algumas ONG, a RNSTP e a TVS. Depois, divulgar sansões aos vândalos que forem apanhados a destruir. Se não for assim, nada de bom se alcançará. Coragem, força, não desistam. “Água é mole e a pedra é dura, mas ela bate, bate até que a pedra fura.”

  14. SEMPRE AMIGO

    25 de Junho de 2024 at 10:01

    Nao se pode deixar morrer iniciativas desse gènero.Todos os poderes(nacional,distrital,local) por um lado as empresas nacionais(RESEMA por exemplo)e extrangeiras devem ser sensibilizados com esta iniciativa da sociedade civilAMIGOS DA CIDADE.A Camara distrital de AGUA GRANDE não pode ficar indiferente deve assumir de imediato a sua responsabilidade.Os AMIGOS DA CIDADE deveriam ter a sua representação na ilha do Principe.Agradecia aos AMIGOS DA CIDADE que publicassem as coordenadas bancàrias da organização.O futuro se constròi assim,com a participação de cada um e de todos.

  15. A.Trovoada

    25 de Junho de 2024 at 10:11

    Onda de indisciplina que tomaram conta de STP.Se as autoridades acionarem cargas policiais para por cobro a tipos situações,dizem que estamos em ditaduras.Essas maltas de novas gerações merecem isso.Muitos já estão em Portugal a cometer indisciplina que as autoridades portuguesas já deveriam atuar.

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