Sociedade

Sindicato dos Jornalistas decide suspender a greve

O Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SJS) vem, por este meio, comunicar a todos os jornalistas, técnicos e demais profissionais da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe (RNSTP), Televisão São-Tomense (TVS) e STP-PRESS que deverão retomar os seus postos de trabalho a partir de hoje, segunda-feira, 7 de setembro de 2026.

A decisão de suspender a greve foi tomada após uma análise responsável do percurso da paralisação, das posições assumidas pelas partes ao longo do processo negocial e, sobretudo, após ouvir os profissionais que se mantiveram firmes na defesa das reivindicações apresentadas pelo Sindicato.

A decisão não significa, contudo, que os problemas que estiveram na origem da greve estejam resolvidos.

  1. Uma decisão difícil, mas responsável

O SJS reconhece que a decisão de suspender a greve não foi consensual quanto ao sentimento dos profissionais que permaneceram em paralisação até ao fim. A marioria defendeu a continuidade da greve até que fossem efectivamente cumpridos os compromissos assumidos relativamente às condições de funcionamento dos órgãos públicos de comunicação social, à situação da TVS, da STP-PRESS e à regularização das questões relacionadas com a Taxa Audiovisual.

Ainda assim, o Sindicato entendeu que, perante o actual contexto, a melhor forma de ultrapassar o impasse seria suspender a paralisação e procurar preservar a unidade dos profissionais, mantendo, simultaneamente, a defesa das reivindicações que continuam por resolver.

  1. A confiança no processo negocial ficou profundamente abalada

O SJS não pode deixar de registar que o processo de diálogo com o Governo ficou marcado por sucessivos momentos de incerteza, compromissos cuja concretização não correspondeu às expectativas dos profissionais e informações contraditórias relactivamente ao cumprimento das obrigações assumidas.

Esta realidade provocou uma profunda erosão da confiança dos jornalistas e técnicos da comunicação social nas instituições responsáveis pela condução do processo.

Para o Sindicato, a confiança não se reconstrói através de palavras, promessas ou anúncios, mas mediante actos concretos, verificáveis e capazes de demonstrar que os compromissos assumidos serão efectivamente cumpridos.

Por essa razão, a suspensão da greve deve ser entendida como uma decisão de responsabilidade e não como um acto de confiança cega nas autoridades.

O SJS continuará a acompanhar rigorosamente o cumprimento de todos os compromissos assumidos e avaliará, em cada momento, a evolução da situação.

  1. Desilusão perante a atitude de alguns profissionais

O Sindicato regista igualmente, com profunda desilusão, a atitude de alguns profissionais que, durante o período de paralisação, decidiram não aderir à greve ou asseguraram determinadas coberturas jornalísticas.

O SJS respeita a liberdade individual de cada profissional de tomar a sua decisão. Contudo, não pode ignorar que essas opções provocaram sentimentos de frustração e de quebra de solidariedade entre colegas que permaneceram firmes durante o período de greve.

A força de uma classe profissional depende, em grande medida, da sua capacidade de permanecer unida perante dificuldades comuns.

Por isso, o Sindicato apela a todos os profissionais para que, ultrapassada esta fase, seja feito um esforço sério de reconstrução da confiança, do respeito mútuo e da solidariedade profissional, evitando que as divergências ocorridas durante a greve comprometam futuras lutas em defesa da comunicação social.

  1. Suspender a greve não significa abandonar as reivindicações

O SJS esclarece, de forma inequívoca, que a suspensão da greve não representa o abandono das reivindicações dos jornalistas e técnicos da comunicação social.

Os problemas que estiveram na origem da paralisação continuam a merecer acompanhamento sindical, nomeadamente as questões relacionadas com o financiamento e funcionamento dos órgãos públicos de comunicação social, o cumprimento dos compromissos assumidos e as condições de trabalho dos profissionais.

O Sindicato continuará a exigir que os compromissos assumidos sejam transformados em medidas concretas, efectivas e verificáveis.

  1. Retoma do trabalho e vigilância sindical

Assim, o SJS orienta todos os profissionais da RNSTP, TVS e STP-PRESS a retomarem normalmente as suas actividades a partir de segunda-feira, 7 de setembro de 2026.

A retoma do trabalho deve ser acompanhada de serenidade, responsabilidade e profissionalismo.

Ao mesmo tempo, o Sindicato permanecerá atento ao cumprimento dos compromissos assumidos e continuará a defender os interesses dos jornalistas e técnicos da comunicação social por todos os meios legais e institucionais disponíveis.

O SJS agradece, de forma particular, a todos os profissionais que permaneceram firmes durante a greve, respeitaram a decisão colectiva e demonstraram espírito de solidariedade e
compromisso com a defesa da classe.

São Tomé, 7 de setembro de 2026

O Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SJS)

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