Opinião

Mentira ou Morte? A Verdade da Mentira na Trovoada eleitoral

Esta noite, terminava um jantar com uma individualidade e explicava a um conjunto de jornalistas o fenómeno do Banho no nosso País. Em frações de segundos, como cheiro de perfume defunto, recebi uma mensagem de alerta que tinha sido assassinado um jovem de Monte Café.

Hoje de manhã, quando o partido que se espera voltar a libertar o país, PSD, MLSTP, se prepara para um mini comício, criou-se o caos em Trindade com um alegado tiroteio à volta da Esquadra da polícia. Um jovem foi literalmente espezinhado e abatido como um cão porque correu. Alegam as pessoas que terá sido denunciado por uma pessoa proprietária de um café onde se encontrava, com – repito – alegadamente porte ilegal de arma. Não sabemos.

Seja como for, capturado que foi por tantos polícias, seria desnecessário pontapear o jovem, como um cão, atacando certamente órgãos vitais causando – quase certamente – uma hemorragia interna. É esta a democracia no meu país. É esta a forma como as autoridades e os tribunais funcionam, pela mão do governo que controla tudo. Em Portugal, foi público, alguns polícias de um bairro de lata, foram acusados pela União Europeia como racistas e xenófobos. Em São Tomé e Príncipe, na 2ª cidade mais importante do país, distrito de Mé Zochi, os polícias atuam impunemente contra apenas um rapaz, jovem, com um pai enlutado e humilde e vendedor no mercado da cidade. E então senhor Dita a dor dos outros? Não dizes nada? Não envias uns ninjas para matar mais alguns?

Enquanto o teu secretário geral adjunto – que insulta o colono (que por acaso o acolheu a estudar em direito e que é um jovem velho boçal, como a sua imagem mostra) – porque não fez direito em São Tomé? Se calhar porque o ensino não é tão bom como no estrangeiro? Pois é… Matam os nacionais.

O que se espera? Se o chefe dele – sim, chefe da quarto do quarto do poder (dixit Jorge Bom Jesus em entrevista ditada pela TVS) chamou ao antigo Presidente da República, “colono preto”?

Não há almoços grátis, mas a “morte desceu à rua num dia assim”, cantava Zeca Afonso – familiar de um grande estadista e político defensor dos movimentos e libertação, António de Almeida Santos, que partilhou espaço de ensino, com o teu pai, em Coimbra, terra de colonos. E como o defendeu.

Enquanto defendemos e lutamos contra as divisões que tens criado no país com esta pseudo dita, dura, gestão do Povo – que não é teu – mas de que descendes, e acreditamos que a Glória – como a do Juiz – afastado compulsivamente (como fazes a todos que te enfrentam) vai chegar dia 7, de Outubro. Aconteça o que acontecer.

Nunca me quis envolver nem assumir qualquer papel político porque mais não sou que uma lutadora pelas causas da humanidade, defensora de valores do humanismo que defende o respeito pelo Direito das Crianças – muito maltratadas neste país – e ainda mais as mulheres, como as palaês (experimenta entrar no mercado nacional, na cidade… e verás como não és amado). As mulheres são o motor do sacrifício e da economia primária deste país. Parem filhos, como o da Roça Monte Café, que os teus polícias mataram. Roça fundada por Sebastião da Costa Pedreira e que entregaste a Libaneses, sem que nada percebam nem de café e, muito menos, de São Tomé. Essas mulheres são maltratadas. São lavadeiras de rio (até temos que aturar o azul espalhado pelos chafarizes )como se o azul do teu partido que partiu o país, fosse parte da nossa bandeira. Mas não. Relembro que as cores da nossa bandeira são: Encarnado (que representa o sangue na luta pela independência) a esperança com o verde para o futuro que nunca mais chega e o amarelo, o ouro consagrado na produção agrícola cada vez mais abandonada.

A verdade da Mentira na Trovoada eleitoral

Recentemente, numa entrevista dada ao Jornal N’Dependenxa (independência), numa também bloqueado, o jornal Téla Non, publicou uma notícia (aqui: https://www.telanon.info/politica/2018/07/30/27509/patrice-surpreende-deputados-portugueses-que-acompanharam-no-em-2014-no-regresso-do-exilio-voluntario/

falando de uma alegada reforma implementada por Trovoada, e “que culminou com a criação de um Tribunal Constitucional composto apenas e só, por juízes escolhidos pelo seu partido ADI, e eleitos sob intervenção de forças especiais da polícia, “os Ninjas”, surpreendeu o deputado português. « Surpreendeu-me de facto o processo de nomeação dos Juízes do Tribunal Constitucional que me pareceu bastante atabalhoado»”.

 

Problema 1, ouve-se no áudio, da entrevista, o deputado português José Ribeiro e Castro, político e democrata português com reconhecimento europeu, percebeu que o seu “conhecido” e não amigo, que acompanhou para São Tomé em outubro de 2014, entrou num mau caminho. Afirmou e os santomenses podem ouvir o que ele declarou: exoneração dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça que pelo que pude me aperceber, mereceu um repúdio generalizado dentro e fora, causou-me imensa tristeza, e acho ser um mau caminho».  

Enganou, Enganou-nos. Mentiu, Mentiu-nos.

Problema 2 ninguém acredita em nada do que diz o Governo e em ti especialmente. Todos sabemos que os membros de Governo são marionetas. O país não está melhor. Restaura-se o edifício do MNE, e da CNE, mas o povo está a cair em sujidade, veja-se o mercado (querem mudar o povo para construir alguma unidade – no centro – demolindo mais um edifício emblemático que deveria converter-se num polo de turismo. Quem vai ganhar com esta transação?

Repito o que escrevi num artigo também publicado no Téla NON e que o Povo da Trindade gritou – sim o mesmo povo – da cidade onde vive o nosso jovem morto: Pundá si mukluklu fé xíntxi matá sun dê, êlê soku ka potó ni son plumêlu. Lêdê ku tê pínsu soku ka subli ôkê sedu. MLSTP sa dê mó ngumbá: xtleson ka da son tã, ê ka da uê. Xtleson dá son zá, ô.

São Tomé e Príncipe e a Comissão Nacional de Eleições (CNE)

Problema 3 em 2016 o país realizou as eleições presidenciais. Maria das Neves que deveria ser Presidente da República – naquilo que se chama de equilíbrio (democrático e não autocrático de exercício )de poder ficaram conhecidas como as eleições mais polémicas da história da democracia santomense. O Presidente da CNE, Alberto Pereira – que também me recebeu para justificar a minha reclamação (escrita e oral) de expurga da Lista de cidadãos eleitores votantes, justificando que me conhecia definiu as eleições presidenciais de 2016, como tendo sido carregadas de falhas graves e repetitivas. Caso insólito, vergonhoso e que retiram de par em par, a credibilidade dos membros do partido azulado. Também foi afirmado por José Ribeiro e Castro (ouvir o áudio) que foram eleições presidenciais muito frágeis, quer no ponto de vista da sua capacidade de realização, quer também do ponto de vista estratégico. E por isso o disparate, que aconteceu nas eleições presidenciais. Não tenho nada contra o Presidente que foi eleito.

Tenho acompanhado com mais pessoas de meios de comunicação social internacionais – nestes ultimo dias – grupos infindáveis de Povo. Que gritam que comem o dinheiro do teu partido, que comem as roupas que ofereces, que comem os lanches que distribuíres. Mas que a frase de ordem é “Uã, dôsu, tlêxi… e o Povo grita: ‘’Nhê pê! 

O povo está cansado, Quer retomar o seu rumo e a democracia.

Isabel de Santiago

    5 comentários

5 comentários

  1. Seabra

    6 de Outubro de 2018 as 12:27

    Apraz-me ler o seu excelente artigo sobre a situação política, social e econômica de STP,dirigido pelo PT-ADI Máfia. Tudo está bem explícito no seu texto sobre a gravíssima situação de conflito, do abuso de PODER , da CORRUPÇÃO….deste governo Totalitário, do seu Ditador em chefe PT e o seu camba Varela.
    Tudo està dito e bem dito.
    AgradecemoS!

  2. JOAO CARLOS

    6 de Outubro de 2018 as 13:12

    Subscrevo…Força, vamos a luta !

  3. Nanana

    8 de Outubro de 2018 as 21:39

    Obrigada Isabel de Santiago (que não conheço), pela descrição tão ilucidativa do “status quo” da sociedade política e dos atropelos à Democracia e aos Direitos dos Santomenses que se vive neste momento naquelas Ilhas únicas no Mundo. Obrigada também pelo cunho bem Santomense de descrever, com os Nossos ditados populares, que para mim, são uma Grande Enciclopedia da sabedoria. Obrigada. Iném Mánu Jornalista Santómé Ê, chiná ku Zêbê ô! Exemplo de boa escrita!

    • Isabel de Santiago

      22 de Outubro de 2018 as 19:20

      San Zênê! Axen men!

  4. Adeliana Nascimento

    9 de Outubro de 2018 as 9:53

    Muito obrigado Isabel, por este excelente artigo.

    E o mais triste ainda, é o facto do Estado, através deste Governo do ADI, sequestrar o cadaver e organizar ao seu belo prazer o funeral do defunto. Não sei se isto é legal.
    è a terceira (3) vez que o Governo do ADI, comete esta barbaridade.

    Penso que a familia deve processar o Estado, ou melhor este Governo do ADI

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo