Economia

CECAB transforma uma antiga cocheira de Cavalos em centro de empreendedorismo agrícola

O edifício em ruínas foi a cocheira ou estábulo de cavalos. Até o início da década de 90 do século XX havia cavalos na roça Filipina. Um gado que desempenhava papel importante no transporte de mercadorias, e permitia aos feitores e capatazes percorrem toda a área do cacauzal para a fiscalização do trabalho.

Mas, o cavalo desapareceu do espaço rural de São Tomé e Príncipe. Tudo indica que não existe um único exemplar deste gado equino no país. As crianças e jovens dos últimos 20 anos nunca viram um cavalo no real, talvez na televisão.

A cocheira de Filipina ruiu, mas vai renascer com uma nova valência. Há vários anos que os produtores de cacau de Filipina ingressaram na cooperativa de exportação do cacau biológico. A CECAB que ganhou autonomia financeira e administrativa desde 2012, decidiu investir também na infraestruturação das 41 comunidades agrícolas membros da cooperativa.

A cavalgada da CECAB está a mudar o cenário das roças. A cooperativa lançou a primeira pedra, para a construção de um centro de transformação de produtos locais, sobre as ruinas da antiga cocheira de Cavalos.

Um espaço polivalente que vai estimular o espírito empreendedor das mulheres e jovens da roça Filipina. A produção e transformação da banana, e de outros frutos e plantas que muitas vezes deterioram no mato, são portas abertas para a sustentabilidade da população rural.

O investimento da CECAB na construção do centro de transformação de produtos locais e de alta qualidade, está avaliado em 300 mil dobras, mais de 12 mil euros.  

A iniciativa surge como resposta à necessidade de melhorar as condições técnicas e logísticas da produção local, permitindo maior eficiência, qualidade e retorno económico para os produtores filiados à cooperativa. É o ponta pé de saída dado pela CECAB na promoção do agro-negócio.

Durante a cerimónia, António Dias, diretor executivo da CECAB, reafirmou o empenho da organização em elevar a produção nacional a novos patamares, lembrando que o cacau santomense já é apreciado internacionalmente. No entanto, apontou o furto agrícola como o “inimigo silencioso” (o roubo nas parcelas de terra dos agricultores), que continua a minar os esforços dos pequenos produtores.

A roça Filipina está localizada no distrito de Mé-Zóchi. Anahory Dias, presidente da autarquia de Mé-Zochi reconheceu a gravidade do problema e apelou à mobilização dos vários setores para proteger os bens dos agricultores.

A mensagem foi reforçada pelo representante do Ministério da Agricultura, Carlos Pascoal, que enalteceu a CECAB como símbolo de boas práticas no sector.

As obras, com previsão de conclusão em dois meses, são mais uma etapa de uma caminhada sustentável rumo ao fortalecimento do cacau como produto de excelência de São Tomé e Príncipe.

Waley Quaresma

1 Comment

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  1. Madiba

    6 de Junho de 2025 at 8:22

    O problema de roubo, principalmente de cacau, tem muito a ver com a hipocrisia dos possíveis combatentes deste crime. No meu ponto de vista, existe uma solução simples! Não se pode concordar que uma criança de 5 anos vende cacau. E vende nem que seja 1 kg. Porque no outro lado há quem esteja disposto a comprá-lo, de que quantidade for. E a quem for. Não é simples combater isto? Quem sabe o roubo de cacau diminuiria pelo menos 50%.

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