Deodato Tiny, engenheiro agrónomo acompanhado pelos filhos foi a Uba Budo Praia testemunhar o fim de mais de 40 anos de trabalho na roça onde trabalhou desde a década de 80 do século XX.
Deodato Tiny é o sócio-gerente da empresa de capital santomense, criada há 23 anos, a SAN UBA BUDO. Em maio de 2024 a sociedade que foi criada por quadros nacionais, nomeadamente 3 engenheiros agrónomos e 2 economistas recebeu uma ordem do ex-ministro da Agricultura Abel Bom Jesus para abandonar a roça. «Fomos escorraçados. Deram-nos 15 dias para sair daqui. Nem nos permitiram tratar do cacau que tinha sido colhido», confirmou Deodato Tiny.

A San Uba Budo pertence a um grupo de 3 empresas santomenses de produção e exportação do cacau que resistiu a crise dos preços que marcou o mercado internacional no ano 2017. Os accionistas eram quadros nacionais que trabalharam na década de 90 do século XX na empresa francesa que geria as roças Uba Budo e Santa Margarida.
Com a desistência da empresa francesa assumiram o desafio de prosseguir o trabalho de produção do cacau. O Estado santomense atribuiu à SAN UBA BUDO o título de posse de 156 hectares de cacauzal e a infra-estrutura de processamento localizada em Uba Budo Praia.
«Preservar o património histórico colonial da empresa foi um dos nossos compromissos. De todo património colonial de Uba Budo e suas 10 dependências só este continua intacto. Foi um trabalho difícil», alertou.
Segundo Deodato Tiny, antes de lançar o ultimato para a SAN UBA BUDO abandonar a roça, o ex-Ministro da Agricultura Abel Bom Jesus visitou as instalações da Uba Budo Praia e constatou que apesar das dificuldades financeiras, que os operadores nacionais enfrentam, a roça continuava activa e as infra-estruturas protegidas e mantidas.

Numa altura em que o cacau passou a ter preço de ouro no mercado internacional, sobretudo a partir de 2023, a empresa de capital santomense, foi escorraçada para dar lugar a outra empresa por sinal da Rússia.
Os 156 hectares de terra permitiram à empresa santomense exportar num só ano, mais de 260 toneladas de cacau, para Suíça, Espanha, Bélgica, e na Alemanha começou a ser produzido o chocolate com a marca San Uba Budo.
«O que aconteceu foi uma montagem mafiosa, ardilosamente arquitectada por um conjunto de pessoas. Estou a falar do ex-primeiro ministro Patrice Trovoada, estou a falar do ex-ministro da agricultura Abel Bom Jesus, e estou a falar de um senhor de nome Nilton, que é a testa de ferro da empresa que se apoderou daquilo que é nosso. Fizeram uma montagem no sentido de roubar a posse do que é nosso», denunciou Deodato Tiny.
Contribuinte do Estado santomense, a empresa de capital nacional, alimentou os cofres da segurança social com vários milhões de dobras em impostos, nos últimos 23 anos. Deodato Tiny disse ao Téla Nón, que a SAN UBA BUDO contribuiu para a balança de pagamentos do país em vários milhões de euros resultantes da exportação do cacau.
O protesto feito junto ao ex-ministro da agricultura não resultou.
O sócio-gerente considera que o processo de concessão do cacauzal ao grupo privado russo pode estar viciado. «Sei por aquilo que me foi dado a saber, que a empresa foi vendida no estrangeiro, não tenho elementos de prova, mas são rumores que me chegaram», frisou.
Segundo Deodato Tiny, os rumores indicam o DUBAI como sendo a cidade onde terá sido realizada a alegada transação financeira russo-santomense.
Os 25 trabalhadores da SAN UBA BUDO ficaram entregues a sua sorte. A maioria diz que ficou no desemprego e sem qualquer indemnização.
Mas a luta continua. A empresa nacional que foi escorraçada pelo anterior governo santomense, apresentou recurso ao supremo tribunal de justiça. A Providência Cautelar e o Recurso que pede a anulação da decisão do ex-ministro da agricultura deram entrada no supremo tribunal de justiça desde 23 de setembro de 2024, e até agora sem qualquer reacção da justiça santomense.
Enquanto a empresa privada da Rússia, com apoio de colaboradores santomenses colhe e exporta o cacau da roça Uba Budo, os santomenses que há 23 anos criaram a SAN UBA BUDO, aguardam pelo pronunciamento do Tribunal da República Democrática.
Abel Veiga
Ma nu chao
24 de Fevereiro de 2025 at 6:04
Xê!! Fica 23 anos sem pagar renda ao Estado, agora ta reclamar do quê…
Regionalista Cantagalo
24 de Fevereiro de 2025 at 8:15
O problema deste anterior primeiro-ministro é o modus operandi, a sociedade não tem quaisquer informações sobre os contratos assumidos em nome do Estado, o que revela discunfiaça. Entretanto é bom que se diga que essa empresa SAN não era tudo isso… vários hectares sem trabalhar, sem renovação cacusal e a olhos de todos os cantagalenses… ao passo que a nova empresa já gerou cerca de 4 vezes mais postos de emprego.
Sem assunto
24 de Fevereiro de 2025 at 8:39
Foi para isto que o demente e delinquente Patrice Trovoada, pigmeu até a medula, colocou o analfabeto Abel Bom Jesus como ministro da agricultura. Tirar um camponês e lhe entegar a chefia de uma pasta ministerial faz dele um ser enternamente grato a quem o deu esta possibilidade, impedido de insurgir contra qualquer ordem por mais arbitraria que ela seja.
Tirar de um nacional para dar a um estrangeiro não é coisa de gente patriótica, mas sim de sicario que é capaz de negociar a propia mãe.
Se o povo não for brurro nem quadrado, Patrice Trovoada nunca mais.
Cobra branca
24 de Fevereiro de 2025 at 12:26
Patrice=corrupção
Luís Neto
24 de Fevereiro de 2025 at 14:13
Se o objetivo é apenas o cacau, porque não houve o cuidado de associar a empresa concessionária de modo a que o sector privado nacional cresça?
Ubuá Budo é perto das antigas instalações da VOA, certo?
Anastácio Gomes Dias
25 de Fevereiro de 2025 at 0:58
É o momento de mandar um mandato de captura para o Patrice Trovoada, que nunca devia ter saído do país( pela 4a vez), sem respondnder as muitas queixas-crime contra ele. Quanto ao gatuno analfabeto do Abel Bom Jesus, é simplesmente enviá-lo uma convocação para que ele compareça junto da justiça para explicar sobre esta corrupção, esta situação de ilegalidade e de abuso de poder utilizado por ele,quando a desempenhar políticamente o cargo de ministro de agricultura, junto do Estado são-tomense. Abel Bom Jesus causou danos e deve ir responder públicamente a este delito de corrupção e de gatunagem contra um nacional, que merece ser justiciado, para lhe repararem ( restituindo-lhe e indemnizando -lhes)dos prejuízos provocados,que o Abel Bom Jesus, como ministro provocou ao senhor Deodato Tiny, filhos e empregados privando-lhes
financeiramente.
O Abel Bom Jesus tem que ser julgado por este e mais delitos que ele cometeu durante os 2 anos e …de cargo de ministro de agricultura, pois tem que ser julgado e condenado pelos seus maus atos.
Jon
25 de Fevereiro de 2025 at 13:02
Necessidade de transparência no país, na gestão da coisa pública, necessidade de legislação, fortalecimento da instituição da Assembleia da República, instituições da justiça, tribunal de contas, de segurança, do jornalismo.
Transparência, transparência, transparência, responsabilidade e responsabilização no país
É urgente chamar o ex Primeiro-Ministro o ex Ministro da agricultura, a Assembleia da República, bem como os ex cidadãos responsáveis pela empresa, os investidores Russos, instituiçõesde finanças, de tribunal de contas, de modo a esclarecer tudo.
É preciso que as instituições funcionem no país, sejam independentes, sejam independentes do poder político, somos nós caros cidadãos, a sociedade civil organizada, os tribunais, a Procuradoria da República, a Presidência da República, o sector da justiça, o sector da segurança, o sector da informação, do jornalismo imparcial, informação, as instituições no geral, que devemos levar a cabo a nossa cidadania e resignação pelo que acontece no país, sem medo, com liberdade, com verdade, com rigor.
Porquê é que está informação, noticias vêm a público e ao país somente agora?
A ilegalidades nesta transmissão, contrato, concessão, venda?
Tal como na questão da concessão do aeroporto, esta transmissão, contrato, concessão, venda, está ferida de falta de transparência, merece auditoria interna/externa, quem diz esta, outras mais que haverá por aí,…
O país dispõe de instituições democrática devem fazer o seu trabalho, tem instituições de justiça devem fazer o seu trabalho, com isenção, transparência
JuvencioAO
25 de Fevereiro de 2025 at 18:14
Mas porquê só agora o assunto é anunciado?
Ou já foi anunciado?
O país é muito pequeno para que um assunto desses não seja tornado público a tempo!
O Tela Non alguma vez já informou sobre o assunto?
O facto de só agora o assunto vir a tona pode significar que há algo de errado para além do ESCORRAÇADO anunciado.
Edson Neves
25 de Fevereiro de 2025 at 20:44
Esse fato demonstra como o Sr. Patrice Trovoada e seus Ministros de Estado violaram e abusaram do poder que lhes foram conferido pelas leis e a Constituição da República. Também demonstra como as Instituições, nomeadamente, o Ministério Público enquanto custus légis não desempenha a sua função, se desempenhasse, certamente, o ato administrativo seria barrado por este órgão e sequer produziria o efeito, não causaria o dano ao Sr. Deodato e os seus funcionários.
Enquanto o Sr. Deodato e os seus ex funcionários amargam o sabor da injustiça, da falta de renda para cumprir com suas obrigações e suprir suas necessidades do cotidiano, os Srs. Patrice Trovoada e seu ex ministro o Sr. Abel seguem sem qualquer remorso, saboreando a sobra do pote de mel do poder.
Injustiça revolta!
Cadê o Sr. Vila Nova que dias atrás se exprimiu dizendo que São Tomé e Principe experimenta uma das melhores democracias da sub-região pra se manifestar sobre essa injustiça praticada pelo seu ex ministro de baixo dos olhos dele e que certamente, ele não sabia?
Pergunto-lhe essa conduta ilegal e abusiva encontra amparo na sua concepção de democracia?
Cabe ao Estado Santomenses indenizar de maneira justa o sr. Deodato e seus ex funcionários e logo em seguida mover uma ação de regresso contra os causadores (Patrice Trovoada e Abel Jesus) do dano.
É preciso moralizar a Administração Pública, as ações lesivas dos funcionários públicos não podem ficar sem resposta à altura das Leis e da Constituição, é preciso que o espírito leis sejam observadas, senão, a desórdem não terá fim.
Sabemos todos que a Rússia não é lá um país onde se respeitas as leis, todavia, tenho dúvidas, se o Estado russo faria algo semelhante para atender interesses privados de um cidadão de São Tomé e Príncipe.
Até quando esse desmando? Precisamos levar o país a sério!