Opinião

Um Novo Mandato, Um Novo Tempo para Construir Pontes

No passado dia 3 de Setembro, o Presidente da República, Carlos Vila Nova, iniciou o seu segundo mandato à frente dos destinos da nossa República.

Quero começar por felicitá-lo pela renovação da confiança que lhe foi concedida pelo povo são-tomense e desejar-lhe sabedoria, serenidade, coragem e sucesso no exercício desta elevada missão.

Uma tomada de posse é sempre mais do que uma cerimónia constitucional. Para mim, é também um daqueles momentos em que uma Nação pode parar, olhar para o caminho percorrido e perguntar a si própria: para onde queremos ir agora?

Foi com esse espírito que acompanhei o discurso do Presidente Carlos Vila Nova.

Entre as várias mensagens que deixou, algumas fizeram-me refletir particularmente sobre o momento que São Tomé e Príncipe atravessa e sobre aquilo que precisamos de fazer, coletivamente, nos próximos anos.

Uma delas é simples, mas profundamente importante: o poder deve ser entendido como serviço.

Acredito que esta ideia precisa de voltar a ocupar o centro da nossa vida pública.

Quem assume uma responsabilidade política não recebe um país, uma instituição ou um cargo como propriedade. Recebe, durante determinado período, a responsabilidade de servir, decidir e produzir resultados em benefício da comunidade.

Talvez precisemos de recuperar esta dimensão da política: menos poder pelo poder e mais poder para servir; menos protagonismos e mais responsabilidade; menos preocupação com quem ganha ou perde politicamente e mais preocupação com aquilo que São Tomé e Príncipe ganha ou perde.

Outra mensagem que me chamou particularmente a atenção foi a necessidade de estabilidade política, económica e social.

Tenho defendido que São Tomé e Príncipe precisa de estabilidade. Mas não de uma estabilidade que signifique imobilismo ou acomodação.

Precisamos de estabilidade para transformar.

Estabilidade para que as instituições funcionem, para que as famílias possam planear o futuro, para que os empresários tenham confiança para investir e para que os nossos jovens consigam acreditar que também podem construir o seu futuro no seu próprio país.

Precisamos, sobretudo, de deixar de consumir tantas energias em sucessivas crises políticas para nos concentrarmos nos problemas concretos das pessoas: energia, educação, saúde, emprego, justiça, produção, rendimento e qualidade de vida.

Estou convencido de que não haverá verdadeiro desenvolvimento sem confiança. E, por isso, quando falamos de estabilidade, não estamos a falar apenas de política. Estamos também a falar de investimento, emprego, crescimento e prosperidade.

Também ouvi com particular interesse a intervenção do Vice-Presidente da Assembleia Nacional, Arlindo Barbosa.

Entre as ideias que apresentou, houve uma imagem que ficou gravada em mim: a necessidade de, nos momentos difíceis, encontrar pontes capazes de aproximar os cidadãos são-tomenses.

Acredito sinceramente que precisamos de mais pontes.

Pontes entre quem pensa diferente. Entre instituições e gerações. Entre quem governa e quem não governa. Entre São Tomé e o Príncipe. Entre o país e a diáspora. Entre o Estado, as empresas e a sociedade civil.

E, sobretudo, pontes entre são-tomenses que podem ter percursos, ideias e opções políticas diferentes, mas que devem ser capazes de reconhecer que existe algo maior do que todos nós: São Tomé e Príncipe.

Ao longo dos anos, tenho observado como transformamos facilmente divergências em divisões. E pergunto-me quantas energias já perdemos a combater-nos uns aos outros.

E se parte dessa energia tivesse sido utilizada para melhorar as nossas escolas, tornar a administração pública mais eficiente, resolver os nossos problemas energéticos, apoiar quem produz e cria emprego ou fortalecer as nossas instituições?

Construir pontes não significa eliminar diferenças. Pelo contrário. Uma democracia saudável precisa de diferenças.

Significa aprender a discordar sem destruir. Competir politicamente sem dividir a Nação. Defender convicções sem transformar adversários em inimigos.

É nesse sentido que tenho uma convicção muito clara:

Nenhum partido é maior do que a Nação. Nenhum dirigente é maior do que a República. Nenhuma divergência deve ser maior do que o futuro dos nossos filhos.

Outra questão abordada pelo Presidente e que considero fundamental é a necessidade de instituições credíveis, regras claras, transparência, responsabilização e uma Justiça mais célere e eficiente.

Há muito que acredito que o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe não depende apenas dos recursos que possuímos.

Temos recursos naturais. Temos uma localização extraordinária. Temos potencial turístico, agrícola e marítimo. Temos uma diáspora qualificada e jovens talentosos.

O nosso grande desafio tem sido transformar potencial em resultados.

E essa transformação exige instituições que funcionem, uma administração pública que sirva, uma Justiça em que o cidadão confie e uma cultura de responsabilidade em que quem assume funções públicas aceite também prestar contas pelos resultados do seu trabalho.

Há ainda uma ideia do discurso presidencial com a qual me identifico particularmente: a esperança precisa de ser acompanhada por trabalho, competência e determinação.

A esperança, sozinha, não transforma um país.

Podemos ter boas ideias, programas ambiciosos e discursos inspiradores. Mas chega sempre o momento de organizar, decidir, executar, acompanhar e produzir resultados.

Talvez esta seja uma das maiores aprendizagens que precisamos de retirar da nossa própria história.

Não nos faltaram ideias. Não nos faltaram diagnósticos. O que muitas vezes nos faltou foi capacidade de execução consistente.

Por isso, acredito que um dos grandes desafios desta nova etapa deve ser construir uma verdadeira cultura de resultados: uma cultura em que liderança signifique visão, mas também execução; em que esperança venha acompanhada de trabalho; e em que boa vontade seja acompanhada de competência.

É também neste sentido que considero particularmente pertinente o princípio Primeiro São Tomé e Príncipe.

Gostaria de o ver muito para além de um slogan. Gostaria que se transformasse numa atitude nacional.

Primeiro São Tomé e Príncipe quando os interesses partidários colidem com o interesse nacional.

Primeiro São Tomé e Príncipe quando precisamos de escolher entre protagonismo e cooperação.

Primeiro São Tomé e Príncipe quando precisamos de reconhecer que ninguém, sozinho, tem todas as respostas.

Entramos agora num período particularmente importante da nossa história. O Presidente da República inicia um novo mandato e, dentro de poucas semanas, os são-tomenses serão novamente chamados a decidir, através das eleições legislativas, sobre o próximo ciclo governativo.

Gostaria que olhássemos para este momento não apenas como mais uma disputa eleitoral, mas como uma oportunidade para iniciar uma nova etapa de maturidade nacional.

Uma etapa de diálogo, estabilidade, responsabilidade, competência, trabalho e resultados.

O Presidente da República tem a sua responsabilidade. O próximo Governo terá a sua. A Assembleia Nacional e a Justiça terão as suas.

Mas também os partidos políticos, as empresas, a sociedade civil, a diáspora e cada um de nós temos a nossa parte.

Porque nunca acreditei que um Presidente, um Primeiro-Ministro ou um Governo, por mais competente que seja, possa construir sozinho uma Nação.

Um país constrói-se coletivamente.

Temos problemas difíceis pela frente. Não vale a pena escondê-los.

Mas também não aceito a ideia de que São Tomé e Príncipe esteja condenado à pobreza, à dependência, à instabilidade ou à resignação.

Acredito no nosso país. Acredito na capacidade dos são-tomenses. E acredito que podemos construir um país mais organizado, mais justo, mais competitivo, mais confiante e mais próspero.

Ao Presidente Carlos Vila Nova, renovo os meus votos sinceros de sucesso neste segundo mandato.

E a todos nós, são-tomenses, deixo uma reflexão que considero ainda mais importante:

que tenhamos a coragem de construir pontes onde durante demasiado tempo construímos muros; de colocar o país acima das nossas diferenças; e de transformar a nossa esperança em trabalho, competência e resultados.

Porque acredito que São Tomé e Príncipe pode ser muito mais do que aquilo que conseguimos construir até hoje.

O futuro não está escrito. Cabe-nos construí-lo. Juntos.

Olinto Daio

Pela “nação mais ditosa da terra”!

05/09/2026

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