Opinião

A Crise do Sistema Partidário, o Presidencialismo e os Novos Partidos Políticos

Tenho escrito, com alguma frequência, sobre os problemas que o nosso sistema político-partidário apresenta que constituem constrangimentos para a estabilização e consolidação da nossa democracia com custos incomensuráveis no contexto social e económico.

Alguns destes problemas são de natureza estrutural e estão relacionados, sobretudo, com a desvalorização das formas organizativas existentes nos partidos políticos com impacto direto, posteriormente, no exercício da autoridade do Estado.

Outros problemas, não menos importantes, estão relacionados com desajustamentos de modelos de interpretação política, que, na maior parte das vezes, são importados, sem criticismo e adaptação prévia, para a nossa realidade politica e sociocultural, e servem de referências estratégicas partidárias e/ou de previsão de reações sociais descontextualizadas.

É bom não se esquecer, todavia, que cada sistema político-partidário não pode deixar de estar associado a uma sociedade concreta com as suas particularidades funcionais próprias que a tornam singular mediante outras. É em S.Tomé e Príncipe que os partidos políticos ou movimentos têm de atuar e é também a nossa sociedade, com os seus problemas específicos, que o sistema político vigente deve dirigir e orientar.

Por tal facto, sempre pensei que o mais importante, recomendável e desejável, na nossa terra, seria o ajustamento da ação política às singularidades da nossa sociedade em detrimento do expediente, sempre recorrível, de transplantação acrítica e direta de modelos que, invariavelmente, acabam constituindo, mais tarde ou mais cedo, autênticas vulnerabilidades funcionais e organizacionais.

Ninguém está a imaginar um empresário Santomense, responsável, com algum bom senso e sentido rigoroso de risco, a criar e estruturar a sua empresa num contexto de cópia fiel daquilo que encontrou noutros sistemas económicos em total divergência com a realidade ou sistema económico prevalecente no país.

Existe, pois, como é óbvio, uma relação direta entre o êxito de qualquer organização e a especificidade do sistema concreto onde e como atua. Desvalorizar este fenómeno parece-me contraproducente e prejudicial.

Outros problemas, ainda, estão relacionados com a tentativa de forjar, no interior dos partidos políticos, desde a sua génese ao desenvolvimento, soluções individualistas em detrimento de comportamentos associacionistas. Não é raro encontrarmos em S.T.P cidadãos que são donos de partidos políticos. Os partidos políticos são estruturas inevitavelmente associacionistas e a tentativa de soluções individualistas para a sua criação, organização e funcionamento acaba tendo aspetos negativos para a evolução da democracia na nossa terra provavelmente mais nefastos do que a prática de atos políticos avulsos ostensivamente não democráticos.

Tudo isto, e outras perversões conjunturais, têm contribuído para criar sérios problemas ao nosso regime democrático porque os partidos políticos dotados de referência social e continuidade temporal são, inevitavelmente, produto de uma relação que contemple, dois pressupostos básicos inter-relacionados.

Por um lado, são organizações específicas que representam os interesses sociais que estão ou estiveram nas suas origens. Estes interesses sociais não poderiam ter um caráter político fundamentado e continuado se não existisse uma forma particular de organização que são, neste caso, os partidos políticos, vocacionados para esta ação no sistema político.

Por outro lado, a ação partidária não pode ser independente deste estatuto de representação, ou seja, da capacidade que os partidos deveriam pretender ter para falar em nome de grupos sociais que representam preenchendo assim a sua missão no contexto político onde atuam.

Ora, nenhum destes dois pressupostos básicos estão totalmente preenchidos, no nosso sistema político-partidário, momentaneamente. De uma forma geral, existem alguns partidos políticos que só estão preocupados com os negócios, presentes e futuros, dos seus principais responsáveis; outros que só estão preocupados na defesa canina dos interesses dos seus líderes que são autênticos donos dos referidos partidos políticos; outros, ainda, cuja única motivação é a conquista do poder, mesmo transgredindo valores básicos que estiveram na sua origem, para conservarem e/ou ampliarem privilégios privados.

O banho é uma perversão que só veio contribuir para amplificar este autêntico negócio transformando quase todos os partidos políticos nacionais relevantes em autênticas agências de negócios de caráter internacional com consequências desastrosas para o país.

Por isso, ao mesmo tempo que os partidos políticos se foram afastando da realidade social em que estão inseridos, impedindo-os de cumprirem as suas funções, no referido sistema político-partidário, com sucesso; foram, ao mesmo tempo, construindo uma teia de interesses privados e cumplicidades internacionais que os obrigava a ter de ganhar eleições, ou, necessariamente, fazerem parte de sucessivos governos da república, para satisfazerem estes mesmos interesses privados sob os quais planeavam todas as suas ações, incluindo pagamento de favores que foram suportando receitas para a promoção do fenómeno banho.

Isto teve algumas consequências no sistema político-partidário, designadamente: o aumento de tensão política e, sobretudo, tensão eleitoral com consequente manifestação de formas de instabilidades crónicas; politização da Justiça e internacionalização de problemas políticos internos, sob expediente judicial, quando internamente estavam esgotados todos os procedimentos institucionais e políticos que pudessem alimentar ou dirimir os interesses privados em disputa.

Synergie Investment em 2009 e agora Duzgit Integrit, ambos sujeitos aos condicionalismos de arbitragem internacional pública, são exemplos desta última manifestação. Quem ganha sempre nestes expedientes são entidades privadas estrangeiras e alguns políticos que patrocinam a assinatura destes contratos. Nunca se ouviu dizer que o povo ganhou alguma coisa com isto.

Só que os partidos políticos não podem se esquecer que não pode haver ação política fundamentada que não tenha em conta as pessoas, designadamente: o que são? Como vivem diariamente? O que têm? Como reagem? Quais as suas expetativas? O que poderão ou quererão ser amanhã? Etc.

As respostas para estas questões não podem estar concentradas somente nos momentos eleitorais, de forma demagógica, transformando os cidadãos em autênticos idiotas. Mas infelizmente é isto que tem perdurado na nossa terra. A prática, no passado, deste modus operandi, é o êxito obtido e confirmado no presente e, provavelmente, no futuro, revelador da prova da racionalidade política das decisões que foram sendo tomadas, em nome da defesa dos interesses do povo. Todavia, temos mais pobreza e miséria, níveis altos de iliteracia e um país que soçobra, sob migalhas, sem rumo nem norte.

Se não existem muitas dúvidas, sobre este diagnóstico, da nossa realidade atual, tenho dificuldades em compreender que se insista, nalguns círculos, que o nosso maior problema é o semipresidencialismo, estendendo tal propósito a uma eventual mudança de sistema, para o presidencialismo, convencidos que este nos iria salvar de todos os problemas que fazem parte do diagnóstico retratado acima.

Ora, se os nossos maiores problemas estão relacionados com as etapas – inicial e intermédia – do processo de construção dos conteúdos de decisão política, que, direta ou indiretamente, diz respeito aos partidos políticos, como é que se pode admitir que transferindo este processo para o ponto mais alto de uma determinada hierarquia, concentrando ai os poderes, mudando o referido sistema, mantendo o resto como está, com todas as suas insuficiências, garantiríamos que tudo passasse a funcionar normalmente e o país entraria num contexto de estabilidade e desenvolvimento?

Pensando desta forma e, exercendo, de facto, um poder executivo, o presidente da república seria o último ator político que encerraria o complexo processo de preparação do conteúdo da decisão política na nossa terra e estaríamos a admitir, deste modo, que este é o principal problema que temos atualmente. Será, de facto?

Todavia, aceitar que este é o nosso problema político momentâneo e que esta – o presidencialismo – seja a solução adequada para a sua resolução, exige que se interiorize a ideia que quem controla o ponto final do processo de decisão política pode controlar e assegurar conteúdo eficaz a todas as fases, anteriores ou posteriores, deste ponto de decisão terminal.

Esta seria, sem dúvidas, a condição necessária para que essa decisão final pudesse ser uma decisão eficaz, sustentada e com capacidade para dar resposta aos nossos problemas existentes, mencionados anteriormente.

Só ingenuamente se pode concluir que um ponto situado no lugar cimeiro de qualquer sistema de decisão política pode proporcionar, de forma contínua, acréscimos de qualidade a propostas de decisão política com défice de aptidão na sua base. Portanto, não é a concentração de poderes, neste caso, que preenche as insuficiências, a desorganização e a inferior qualidade das propostas políticas que são apresentadas num sistema.

Somente deslocaríamos os problemas existentes, de forma artificial e ilusória, para a dimensão do exercício do poder e tudo se manteria na mesma porque, entretanto, as insuficiências decorrentes da desorganização e má qualidade de propostas políticas, situadas a montante, não acabariam só pelo facto de termos mudado de sistema semipresidencial para presidencial. Isto parece-me evidente!

E isto ainda poderia acarretar um outro problema, não menos grave. No atual sistema, tal qual existe neste momento, os presidentes da república, invariavelmente, têm funcionando: ora, como uma “válvula de segurança”, forçando coligações governativas, para cumprimento de legislaturas, decorrentes de instabilidade políticas vindas do próprio sistema político-partidário ou provocadas por escândalos cujos epicentros são os próprios governos em funções; ora, num exercício inusitado de excesso de protagonismo, demitindo, a torto e a direito, os governos, por variadas razões.

A transposição desta experiência para um sistema presidencialista, num contexto político como o nosso, de forte tensão pessoal e inusual agressividade entre atores políticos, ciclicamente bombardeado por casos de corrupção e de outra natureza, que provocaram a queda de mais de uma dezena de primeiros-ministros, nos últimos anos, só poderia ter consequências desastrosas, num sistema presidencial, porque poderia implicar quedas sucessivas de presidentes da república. Ou seja, seria um sistema sem lugar para o erro e quando este seria detetado ou manifestado teria como consequência a abdicação ou, em alternativa, o encobrimento, pela eventual manipulação dos factos, ou, ainda, caso mais grave, uma deriva autoritária decorrente deste último processo, como acontece noutras latitudes.

E, neste caso, o reconhecimento do fracasso deste sistema, decorrente dos constrangimentos apontados acima, teria como implicação a verificação da sua inviabilidade ou cairíamos inevitavelmente numa senda autoritária.

Por isso é que comungo a opinião, decorrente do diagnóstico avançado anteriormente, que a proposta de mudança de sistema atual para o presidencialismo, tem como origem a crise atual do nosso sistema partidário, todavia, só conseguiria ter impacto real se conseguisse responder, satisfatoriamente, ao problema desta mesma crise. Trata-se, no entanto, de uma receita errada para um problema que exige um tratamento diferenciado.

Neste âmbito, se o “Diálogo Nacional” teve algum mérito foi pelo facto de ter criado as condições, objetivas ou subjetivas, para colocar a descoberto aquilo que eu próprio já pressentira e escrevera neste jornal, que é o facto de o país estar a viver uma crise indisfarçável no seu sistema partidário com consequências consideráveis no presente e no futuro.

Grande parte das intervenções, de maior ou menor interesse, feitas no “Diálogo Nacional” tiveram como suporte preocupações sociais, económicas ou políticas específicas que qualquer partido político nacional que apoia a atual coligação governamental poderia adotá-las como oriundas da sua base apoio. O próprio ADI que não participou no “Diálogo Nacional” já se predispôs adotar tais recomendações ou conclusões, do “Diálogo Nacional”, considerando-as como naturais ou consensuais na sua base de apoio social e político, deitando a tão propalada bipolarização para o lixo.

Podemos concluir, com isso, que não existem, no país, em termos políticos e também em número suficiente, grupos sociais tão diversificados ou múltiplos, com interesses e finalidades próprias, que poderiam estabelecer uma relação organizada e responsável com os quatro (4) partidos políticos mais relevantes que existem?

Ou, pelo contrário, estes grupos sociais existem e os interesses e objetivos partidários em presença é que são antagónicos com os interesses e finalidades dos mesmos?

Entendo, em primeiro lugar, que o número de partidos políticos relevantes existentes no país (4) representa atualmente um condicionamento, com reflexo na crise atual do nosso sistema partidário, sobretudo porque alguns são construções imaginárias, com finalidades conjunturais específicas, desprovidos de referências sociais sólidas e continuidade temporal garantida; e, em segundo lugar, como diagnostiquei acima, outros estão mais preocupados com a defesa de interesses pessoais e privados do que com interesses específicos de grupos sociais.

Se não conseguirmos ultrapassar estes dois condicionamentos torna-se difícil mudarmos de vida. É compreensível que aquilo que possa acontecer num sistema com dois (2) partidos relevantes é totalmente oposto ou diferente daquilo que pode acontecer num sistema com quatro ou cinco (4 ou 5) partidos relevantes, independentemente dos seus modelos de organização, das posições políticas que defendem ou das suas bases sociais de origem.

Estes dois condicionamentos que bloqueiam momentaneamente o nosso sistema partidário é que deveriam preocupar os nossos atores políticos e institucionais.

Se o “Diálogo Nacional” teve o mérito de deixar a descoberto estes condicionamentos, mencionados acima, não é menos verdade que a resposta saudável para a sua minimização ou resolução deveria partir, inicialmente, da reflexão oriunda do interior dos diversos partidos políticos e, posteriormente, em contextos interpartidários, contribuir para criação de condições para a transformação do nosso sistema partidário, tal qual ele existe hoje.

Ou seja, é a altura ideal para os partidos políticos entrarem no jogo porque a responsabilidade é, sobretudo, deles.Em política não há milagres. Ela é a arte de se tentar fazer o possível de acordo com as condições existentes no momento. Insistir nas desculpas relacionadas com a mudança do sistema político vigente, ou com a mentalidade prevalecente dos Santomenses, ou, ainda, na ideia de voto obrigatório e outros artifícios de natureza legislativa, como expediente para não se fazer nada ou adiar tudo, é sintoma de mediocridade das lideranças político-partidárias existentes atualmente.

Ora, a sociedade civil, individual ou coletivamente, para além da sua participação no “Diálogo Nacional” já respondeu ao desafio em causa.Foi anunciado, recentemente, a criação de mais três (3) partidos nacionais, para concorrer ao próximo pleito eleitoral porque, aparentemente, os atores dos respetivos projetos e colaboradores, entendem que há espaço no sistema partidário para a referida iniciativa tendo em conta, até, um dos condicionamentos que mencionei acima, existentes no nosso sistema partidário, que é o desajustamento entre os interesses partidários em presença e a defesa dos interesses dos diversos grupos sociais.

Entendem os promotores da referida proposta que estão reunidas as condições, pelo menos aparentemente, para a transformação paulatina do nosso sistema partidário, com esta iniciativa.

Ao contrário daquilo que eu já ouvi e li, a criação de partidos políticos e consequente transformação do nosso sistema partidário, é uma prova saudável da vitalidade política da nossa sociedade. Não podemos andar a criticar o modus operandi dos partidos políticos nacionais, de forma generalizada, o seu esgotamento funcional, político e ideológico e, no entanto, ficar comovidos ou perplexos quando a própria sociedade responde positivamente, ao desafio em causa, decorrente da evolução da realidade política, criando instrumentos que podem contribuir para mudá-la.

Além disso, que eu saiba, o espaço do nosso sistema partidário não está regulamentado por quaisquer regras de caráter corporativo ou de outra natureza. Quanto pior forem os instrumentos de ação, como os partidos políticos, num contexto democrático e ainda imaturo como o nosso, maiores serão os problemas políticos e sociais que continuaremos a criar ao longo dos tempos.

Aliás, mais do que uma oportunidade, desejo ou motivação, acho que os atores desta iniciativa estão a criar condições para a expressão de um direito democrático que pode contribuir para o enriquecimento da nossa democracia, permitindo soluções de estabilidade política e recomposição do sistema partidário oferecendo estímulos para a melhoria e diversificação dos conteúdos de decisão política que vão de encontro aos problemas dos diversos grupos sociais.

Tiro-lhes o meu chapéu pela coragem, sentido de oportunidade e ativismo político demonstrado, numa sociedade onde é mais fácil e cómodo o conforto relacionado com a inscrição e militância partidária para fins privados.

Sei, todavia, que a tarefa em causa não é fácil e tendo em conta os constrangimentos existentes, de natureza organizativa, temporal e logística, para além do banho, acho difícil que a mesma tenha um fim compatível com os objetivos associados ao seu sentido genético.

É bom que se saiba, no entanto, que os protagonistas destes projetos não são figurantes. Provêm da sociedade civil, alguns têm experiência partidária anterior, mas, todavia, todos eles, têm provas dadas em sectores importantes da nossa vida coletiva.

O Filinto Costa Alegre e João Gomes são verdadeiros príncipes, dotados de caráter, genuinidade, (qualidades nem sempre favoráveis num político) coerência, espírito de iniciativa, independência e ideias claras sobre aquilo que querem para a Pólis, moldados, embora, num ambiente político adverso onde os falsos príncipes têm a tendência para serem os principais pecadores. Representam, com toda a certeza, a antítese do nosso improviso doméstico que já leva quase quarenta anos de existência. Admiro-lhes a disponibilidade e coragem, para o intervencionismo cívico e político, num contexto onde geralmente, ainda, se tem de pedir licença, para ousar pensar e intervir de forma independente.

O António Quintas Aguiar, amigo dos tempos de Coimbra, é uma espécie de Capitão de Danço, com suficiente carisma, sentido de oportunidade e capacidade de mobilização, capaz de, como ninguém, influenciar as atitudes e o comportamento dos outros em prol de um determinado objetivo associativo ou político abrangente.

Conheço muito bem a sua capacidade de organização, inteligência e oratória fácil, (sobretudo no crioulo forro) carregada de simbolismo, empatia e determinação, que fazem dele um verdadeiro capitão, “carismático-inspirador”, num campo de batalha onde tanta gente desistiu da esperança. Admiro-lhe a paciência, capacidade de observação e interpretação da realidade política prevalecente para, em função deste olhar, tomar a decisão que tomou no sentido de contribuir para a transformação do nosso sistema partidário.

O Rafael Branco, político que critiquei algumas vezes, é uma espécie de general rebelde de um grande exército que sabe, todavia, que comandá-lo obedece aos mesmos princípios da condução de um pequeno grupo de homens, bastando, para tal, dividi-lo, dotá-lo de simbologia própria e sinais para enfrentar, com segurança, as batalhas que se avizinham.

Sendo um general antigo, conhece como ninguém, os “inimigos” em todas as suas facetas. Deve ter cultivado, com paciência Chinesa, um dos muitos ensinamentos de Sun Tzu, designadamente: “se conheceres o inimigo e a ti mesmo não deverás temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces a ti mesmo, mas não o inimigo, por cada vitória conquistada conhecerás uma derrota. Se não te conheces a ti mesmo, nem ao inimigo, serás derrotado em todas as batalhas.” Admiro-lhe a capacidade de resistência, intuição política e a arte de transformar as deceções dos outros, numa nova oportunidade, para renascer, tal fénix.

Todavia, se este representa um contributo da sociedade civil para a recomposição do nosso sistema partidário oferecendo condições para a sua estabilidade, por que razão os próprios partidos políticos não respondem positivamente a este desafio agregando vontades, decorrente desta evolução da realidade política nacional, abrindo-se aos desafios proporcionados pela vitalidade política desta mesma sociedade com a finalidade de enriquecimento do nosso regime democrático?

Não faria sentido, neste momento, a manifestação de disponibilidade para a fusão de alguns partidos políticos relevantes, momentaneamente existentes, vinda do interior dos próprios, com o objetivo de reduzi-los ao máximo de dois (2) com estatuto de relevância nacional, respeitando os pressupostos de natureza histórica, orgânica e conceptual de cada formação partidária, e, posteriormente, a sua abertura, sem condicionamentos, aos três (3) projetos oriundos da sociedade civil, onde estes pudessem ter espaço para se afirmarem no interior dos referidos partidos que os pudessem acolher?

Ou seja, parece-me que há dinâmicas e conceções políticas relevantes, em desenvolvimento na nossa sociedade, que não estão a ser convenientemente assimiladas ou interiorizadas por parte dos partidos políticos existentes. Mais uma vez, o sistema partidário está fechado sobre si mesmo em total rutura com a dinâmica social que deveria orientar.

A fusão de partidos, neste contexto político e social concreto em que vivemos, passando de quatro ou cinco partidos (4 ou 5) com alguma relevância, para somente dois, (2) agregando-os os projetos pré-anunciados de criação de mais três partidos políticos nacionais, não me parece contestável do ponto de vista político-social por duas razões fundamentais.

Em primeiro lugar, não existe tensão ou conflitualidade ideológica relevante, no nosso sistema partidário, que obstaculize esta opção nem tão pouco uma nítida heterogeneidade política e social que o impeça de forma irremediável. Em segundo lugar, são os próprios partidos políticos que têm criado condições, ao longo dos tempos, que têm contribuído objetivamente para a banalização das suas identidades em prol de objetivos menores de natureza diversa.

Este processo garantir-nos-ia algumas vantagens, de natureza política e social, não desprezáveis, designadamente, a criação de condições para passarmos de um pluralismo moderado, constituído por quatro ou cinco partidos relevantes, para um bipartidismo, (não estou a falar de bipolarização como estratégia política) mais propício à alternância e estabilidade política.

Além disso, num país como o nosso, com défice de massa crítica no âmbito de recursos humanos qualificados, o bipartidismo teria a vantagem de não dispersar, ainda mais, a base de adesão política, sobretudo de quadros, que poderiam acrescentar valor reflexivo e técnico, no interior dos referidos partidos políticos, com a finalidade de construção de conteúdos de decisão política que seriam transferidos para o exercício de poder ao nível do Estado.

Aliás, a própria base de recrutamento de políticos, para funções governativas, num país como o nosso, com défice de competências políticas e técnicas específicas, seria significativamente melhorada, em termos de qualidade, num sistema bipartidário, porque a menor dispersão partidária reduziria a tendência prevalecente para premiar a mediocridade para além de contribuir, no contexto partidário, para a melhoria do debate interno afastando, se necessário, das respetivas direções partidárias, aqueles que têm transformando os partidos em causa em autênticas propriedades privadas.

E todos sabemos, também, que, num sistema bipartidário, a alternância governativa inibe a pré-disposição para o desleixo programático, para a falta de organização, inoperância estratégica e incapacidade mobilizadora por parte dos partidos políticos, para além de obrigá-los a serem mais seletivos nas propostas para preenchimento de cargos políticos porque, também, a sua base de recrutamento tenderá a ser maior havendo piores condições para dispersão ou fragmentação partidária.

Tudo isto deveria ser feito criando condições, ao mesmo tempo, para a reflexão e eventual mudança do sistema eleitoral tornando-o mais compatível com o caminho para a realidade de um sistema bipartidário.

Parece-me evidente, também, que tudo isto poderia contribuir para colocar em causa as atuais lideranças partidárias, se necessário fosse. Isto seria um mal menor e de manifestação de grandeza se partisse das próprias atuais direções partidárias.

Mas, provavelmente, estaria aberto o caminho para o reajustamento do nosso sistema político-partidário dotando-o de algumas qualidades que momentaneamente não tem. Dir-me-ão que tudo isto é difícil! Concordo que sim. Mas o que é fácil em política?  Provavelmente o nosso grande erro foi, sucessivamente, ao longo dos tempos, ter recorrido aos expediente fáceis para mudar aquilo que é estruturalmente complexo em democracia.

A tendência quase suicidária para a mudança do figurino constitucional, relacionado com a organização do nosso sistema político, em detrimento de uma receita mais complexa que, todavia, poderia colocar em causa interesses privados instalados nos partidos políticos não deve ser consensual nem bem-vinda, no interior dos respetivos partidos políticos existentes, com todos os vícios que comportam.

O triunfo da mediocridade, que dissemina um pouco por grande parte das instituições da república, é sintoma de vários fatores e, entre eles, o mais significativo, é o afastamento, voluntário ou involuntário, dos melhores quadros nacionais, decorrente das fragilidades organizacionais existentes nos partidos políticos, por um lado, e, por outro, o saneamento discreto e dissimulado proporcionado pelos donos dos referidos partidos que desejam mais, ter carneiros, em detrimento de cidadãos empenhados, nestas estruturas. Não se constrói e estabiliza nenhum país no mundo só com carneiros.

Todavia, um bom líder e estratega político é, sobretudo, aquele que está atento a todos os sinais sociais e, a partir deste olhar, é capaz de conceber um plano organizacional e metodológico, capaz de orientar e mudar a realidade existente, independentemente das resistências encontradas no caminho. Onde é que eles estão? Ninguém, em política, tem toda a razão.

Numa sociedade pequena como a nossa, sem grandes atritos socioculturais, a capacidade para ouvir e compreender os outros, em prol da resolução dos problemas da comunidade política deve ser sempre a opção entre opções porque o essencial só poderá ser atingido, na permuta de argumentos, respeitando a individualidade partidária ou mesmo pessoal.

Depois do “Diálogo Nacional” seria bem-vindo um “Diálogo Interpartidário”.  Não decidir, nos momentos certos, sobre determinados assuntos, eles acabarão sendo decididos sem decisão, com custos mais altos para todos.

As propostas para eventual criação de mais partidos políticos não parará por ai enquanto os atuais existirem como existem e a tendência para a abstenção aumentará sucessivamente, de eleição para eleição, e nenhum voto obrigatório ou mudança de sistema político irá contribuir para modificar o comportamento das pessoas em termos de manifestação de cidadania.

Adelino Cardoso Cassandra

    41 comentários

41 comentários

  1. Sousa

    2 de Maio de 2014 as 8:14

    Não costumo fazer comentários neste espaço. Abro uma exceção para contudo dizer que se trata de uma grande reflexão sobre a nossa real situação atual. Convido os leitores, sobretudo os políticos, a lerem com atenção este texto. Os meus parabéns.

  2. Filho de Juvé

    2 de Maio de 2014 as 8:49

    Artigo muito bem pensado e elaborado. É pena mita gente não puder ler estas coisas. Estas ideias sempre estão na minha cabeça. Nunca percebi porquê que S.Tomé tem que ter tantos partidos e sem resultados nenhuns para o povo tendo em conta que a população não ultrapassa 200 mil pessoas. Este é o artigo que eu gostaria de ter escrito. Este senhor Adelino Cardoso Cassandra escreveu-o e eu só tenho de lhe agradecer porque estou totalmente de acordo. 100% de acordo. Uma bela argumentação ao contrário de muitas coisas que se lê por ai.
    S.Tomé agradece.

  3. Diogo

    2 de Maio de 2014 as 8:57

    Das coisas mais bem fundamentadas que eu já li neste e outros fóruns sobre S.T.P. Meus parabens para o autor desta magnífica crónica.

  4. Súm Bebezaúa

    2 de Maio de 2014 as 9:07

    Tiro o meu chapéu. Só espero que quem tem responsabilidades nos partidos e nas instituições da nossa república leiam estas coisas.
    Fui

  5. Presidencialista Desiludido

    2 de Maio de 2014 as 9:22

    Acredite, meu caro, que eu já fui um confesso apoiante de um regime presidencialista para o nosso país. Mas por aquilo que eu tenho visto neste país que me viu nascer,com tanta inimizade, tantas intrigas, tanta incompetência, tanta deslealdade, tanto disparate, tanta falta de convições, tanto interesse pessoal e privado em nome da política, só posso concordar consigo que o nosso problema não é o presidencialismo nem coisa que se pareça. É excesso de ambição, é incompetência, é falta de liderença para querer mudar o estado de coisas neste nosso país. Não vamos a lado nenhum com presidencialismo, semipresidencialismo nem com outra coisa qualquer se não mudar a forma de se fazer política neste país.
    Como é possível por exemplo que o líder do maior partido nacional neste momento esteja quase dois anos fora do país e agora que as eleições se aproxima este senhor com cara de lata está a correr para vir para S.Tomé para participar na campanha eleitoral? Isto é possível alguma vez? Como é que eu posso acreditar neste homem que diz que gosta do seu povo? Em que outro país do mundo uma coisa desta aconteceu? Isto é uma falra de consideração para com os seus próprios militantes, para com o povo e para com a nação.

    • Kuá ê dá ...

      2 de Maio de 2014 as 10:03

      Tenho a mesma preocupação que o senhor. Não é admissível que um líder de um partido que se diz importante para o país e para o povo se ausente durante tanto tempo no exterior e agora queira regressar exactamente no momento que vai ocorrer as eleições. Como é que eu posso confiar numa pessoa desta para governar o país? Quem me garante se ele perder as eleições regressará de novo para o exterior? Tenho de admitir que isto só acontece cá em S.Tomé.
      Em relação ao artigo só posso agradecer ao seu autor pela argumentação. O país precisa destas contribuições para que ajude a mudar as coisas.

    • T.C

      2 de Maio de 2014 as 13:59

      Infelizmente cá em S.Tomé todos os partidos têm um dono. Por mais que queiramos esconder esta realidade chegamos a conclusão que todos os partidos têm um dono.
      Eu também concordo que isto que o Patrice Trovoada está a fazer é uma grande infelicidade para o partido e para o país. Não é admissível que uma pessoa fique fora este tempo todo, sem fazer qualquer gesto como líder de oposição e aparece agora a reinvindicar querer ser candidato ao cargo de primeiro-ministro. É triste isto. Ele pode ser candidato a todos os cargos mas nesta situação em que ele praticamente abandonou o país e agora vem concorrer para primeiro-ministro dá um mau aspeto aos partido. Quer dizer a política só é importante nos momentos eleitorais? Assim também não…

    • Pepê

      2 de Maio de 2014 as 22:39

      Deixem o ADI e o seu líder em paz. Há muitos outros líderes com os seus problemas. Vejam o que está a acontecer ao MLSTP. Preocupem-se com isto. Têm medo do Patrice Trovoada? O que é que têm se ele decidiu ficar lá fora a dirigir o partido? Há alguma lei que proibi estas coisas?

      • Olhos abertos

        25 de Julho de 2014 as 11:57

        Sr Pepê, O Sr. deve ser um desses que não faz nada porque vive a custa de restos do PATRICE TROVOADA. Um verdadeiro trabalhador, que quer viver do seu trabalho, não está a espera do resto do PATRICE TROVOADA, para viver. Se o Sr. estudou um pouco sobre a história de Portugal, sabe da BATALHA DE ALCACER KIBIR. O REI D.SEBASTIÃO, que estava a comandar as tropas, desapareceu. Já viu o que aconteceu? Portugal perdeu essa guerra. O Sr. PATRICE TROVOADA, deveria estar em S.Tomé e Príncipe, fazendo a sua política. Ele não tem amor a TERRA. Só quer da TERRA, é apenas o PODER e as MORDOMIAS. Portanto, para quem tem os olhos, não canham nas aldrabices do Sr. PATRICE TROVOADA. É verdade, que os outros políticos, estão como estão, sem rumo. Mas com PATRICE TROVOADA, irá ser um CAOS, como o próprio disse que iria por o País. GENTE QUE PENSA EM POR O NOSSO PAÍS, EM CAOS MAIS DO QUE JÁ ESTÁ, CONVENHAMOS. O PATRICE QUE FIQUE LONGE.

  6. Flor

    2 de Maio de 2014 as 9:28

    É um texto longo e um bocado exigente na leitura e interpretação. Mas gostei de o ler. Continue, meu caro, a nos brindar com estas reflexões. Grande contributo para o dabate necessário que o país tem de fazer, mais tarde ou mais cedo, para melhorar o sistema político.
    Meus parabêns.
    Flor

  7. Pires

    2 de Maio de 2014 as 10:38

    Meus parabéns. S.Tomé agradece. Não sei se os políticos poderão dizer o mesmo.

  8. V.A

    2 de Maio de 2014 as 11:30

    A única crítica que faço ao texto é que é muito longo. De resto é um grande trabalho reflexivo que o país precisa de fazer. Há muita coisa no texto que eu concordo com o seu autor. Porquê que os partidos políticos não estão interessados a discutir estas coisas? Este tipo de reflexão deveria acontecer nos partidos políticos em primeiro lugar. Alguém conhece alguma ideia dos partidos políticos sobre estas questões levantadas pelo senhor Adelino. Há muita conflitualidade ao nível da politiquice mas o que é necessário não se discute neste país.
    Não é o presidencialismo que vai resolver os nossos problemas. É a atitude das pessoas e dos partidos perante os problemas existentes no país. Por exemplo alguém compreende que o Patrice Trovoada fique tanto tempo fora do país sendo líder da oposição e só regresse quando há eleições? A mensagem que ele passa para os seus eleitores e mesmo para o povo é que a política só é necessária na altura das eleições. Como é que um líder político pode agir desta forma? Tudo isto são coisas que acontecem no nosso país que não deveriam acontecer para o bem da democracia e dos próprios partidos políticos.

    • Paulo

      2 de Maio de 2014 as 16:52

      Também não concordo com este comportamento do senhor patrice Trovoada. Isto parece que o partido é uma instituição familiar onde só ele pode dirigi-lo. O que é isto afinal?

  9. Falar Não Pode

    2 de Maio de 2014 as 12:31

    Os meus parabéns pelo artigo. Estamos nesta brincadeira há quase 40 anos. Eles só estão interessados nas suas riquezas e no sustento dos amigos e familiares. Que raio de gente que não pode sentar, unir, discutir as coisas e trabalhar para o bem do povo. Cabo Verde está fazer isto. Ainda há dias ouvi o senhor primeiro-ministro de Cabo Verde a dizer na R.D.P.-África que ele iria reunir com o responsável de outro partido da oposição para resolver os grandes problemas do país. Nós aqui estamos numa espécie de separatismo, cada um a puxar a brasa para a sua sardinha para tirar dividendos políticos e continuar a massacrar este povo sofredor. Uma data de partidos com gente que só está interessada nos seus privilégios pessoais. É óbvio que quantos mais partidos existir o nível de pessoal capacitado e com qualidade vai ser menor nestes partidos. É por isso que cada vez mais se encontra gente pouco capaz nos diversos governos e sem capacidade para lá estar e fazer um bom trabalho para o país.
    E se repararem Angola tem só dois partidos importantes mais o partido novo CASA que também está a subir nas sondagens. Moçambique tem só dois partidos importantes mais um novo que está a subir nas eleições. Cabo Verde tem só dois partidos importantes mais um que não é assim tão importante.
    Nós estamos como a Guiné Bissau com uma data de pequenos partidos sem qualquer importância para o país. Deviam pegar estes partidos todos e fundi-los como disse o articulista. O problema é que existe muita gente destes partidos que acham que são importantes e devem cada um deles ter o seu próprio partido político. Qualquer dia cada Sãotomense vai criar o seu próprio partido e teremos quase 180 000 partidos políticos.

  10. J.P

    2 de Maio de 2014 as 12:45

    Interessante ponto de vista. Muito interessante!!!

  11. Lelê Múm

    2 de Maio de 2014 as 13:04

    Porquê que estes três partidos, dos senhores Rafael Branco, António Aguiar e Filinto Costa Alegre não se unem para formar um partido só forte que possa ter um bom resultado eleitoral? Ou até unir os três e alinharem-se ao ADI ou PCD e formar um bom partido com ideias claras para o país. Sinceramente que com tudo isto que está a acontecer cá no país eu não sei em quem votar. É muito triste dizer isto mas é a pura verdade. Nem sei se vou votar. É tudo uma vergonhice total.
    Agora dizem que o líder do ADI resolveu voltar para o país para concorrer às eleições. Isto até parece uma brincadeira de mau gosto. Este senhor abandonou o país, foi viver para o exterior no bem bom. Deixou o partido aqui entregue aos miúdos malcriados. Não fizeram uma oposição boa durante este tempo todo. Agora aparece a dizer que vem concorrer às eleições. Isto é brincar com o povo.

  12. Água Grande Sem Água

    2 de Maio de 2014 as 13:14

    Li e gostei muito. Concordo com quase tudo o que foi escrito. Precisamos deste tipo de reflexão nos partidos políticos sem tabús. Sobretudo para se saber o que é que cada partido pensa sobre estes assuntos que são importantes para o rumo que o país deve tomar.

  13. Thay

    2 de Maio de 2014 as 13:29

    É um bocado longo mas está muito bem argumentado. Meus parabens.

  14. Unidos Venceremos

    2 de Maio de 2014 as 13:38

    Concordo consigo. Existe cá em S.Tomé pessoas que de facto são donas de partidos políticos. O ADI é do senhor Patrice Trovoada e da família dele. O MDFM é do senhor Fradique.
    No caso do ADI o seu presidente deu-se ao luxo de ficar fora do país, abandonando o partido por quase dois anos para agora decidir que é ele que vai candidatar ao cargo de primeiro-ministro. Quem tem aquilo no sítio, naquele partido, para contrariar este decisão do chefe? Eu como era só militante de base não estou para estas poucas vergonhas e abusos. Não participo em nenhuma campanha para este partido muito menos para qualquer outro partido. Não vou votar coisa nenhuma. Os partidos políticos parecem coisa de famílias em que eles é que mandam em tudo. Que raio de coisa é esta?

  15. Diálogo Nacional

    2 de Maio de 2014 as 13:46

    São assuntos como este que deveriam ser discutidos no Diálogo Nacional para se descobrir um rumo de desenvolvimento para o país e não estar sempre em confusões, anda para trás, anda frente, etc.
    Parabéns ao autor do texto.

  16. Trindadense

    2 de Maio de 2014 as 13:51

    Gostei, senhor Adelino Cardoso. Muito bem feito.

  17. mateus neto

    2 de Maio de 2014 as 14:15

    Bem falado.
    UM CONVITE:

    Sr Abilio Neto Sr, Carlos Menezes, Oscar Medeiros, Sr Jorge Gonçalves.

    Coisas como estas para ajudar a nossa democracia é que vocês deveriam estar a fazer. E não DENEGRIR o país à troco de algum dinheiro.

  18. Viva Democracia

    2 de Maio de 2014 as 16:21

    Meu caro, eu gostei mais desta parte:
    “…O triunfo da mediocridade, que dissemina um pouco por grande parte das instituições da república, é sintoma de vários fatores e, entre eles, o mais significativo, é o afastamento, voluntário ou involuntário, dos melhores quadros nacionais, decorrente das fragilidades organizacionais existentes nos partidos políticos, por um lado, e, por outro, o saneamento discreto e dissimulado proporcionado pelos donos dos referidos partidos que desejam mais, ter carneiros, em detrimento de cidadãos empenhados, nestas estruturas. Não se constrói e estabiliza nenhum país no mundo só com carneiros…”
    Estamo a construir, há muito tempo, um país de mediocres. Em que país, por exemplo, alguns governantes do atual governo seriam ministros? Em que país, o Elísio seria ministro da Justiça ou a Ângela Costa ministra da Saúde? Ou ainda o Abnildo seria ministro ou secretário de estado. Só cá em S.Tomé e Príncipe estas coisas acontecem.

    • Não está certo

      4 de Maio de 2014 as 10:17

      Estou de acordo consigo. Muita gente que é ministro ou foi ministro neste país, ou mesmo primeiro-ministro nunca poderia ser se os critérios subjacentes a estas escolhas tivesse em conta a capacidade, inteligência e vocação política para estes lugares. Isto está tudo feito para que quem tem meios e poderio financeiro possa enganar o povo e ganhar eleições mesmo que vendam o país aos poucos. Veja-se só o caso do senhor Patrice Trovoada que saiu do governo foi embora para o estrangeiro, continua lá a comer do bom e do melhor, e agora que o cheiro das eleições está no ar ele vai regressar outra vez para concorrer e ganhar eleições e se um dia as coisas correrem mal ele regressa de novo para o estrangeiro. Como é que as pessoas podem confiar na politica desta forma? A culpa também não é só dele é também dos próprios militantes e simpatizantes do ADI que admitem esta brincadeira. Como ele tem dinheiro, muito dinheiro, que é capim para ele, como ele costuma dizer, ele vai investir este dineiro, dar banho a vontade e com certeza que ele pode ganhar eleições. Mas isto não é certo.

  19. Paulo

    2 de Maio de 2014 as 16:48

    Precisamos de mais reflexões como esta e não de politiquices que não nos leva a lado nenhum. Meus parabens.
    Paulo

    • P.M

      2 de Maio de 2014 as 22:43

      Neste momento é impossível a fusão dos partidos políticos. Nem acredito que isto seja possível tendo em conta a conflitualidade política que isto provocava. O ADI iria fundir com quem? Com o PCD? Com o MLSTP? Cá em S.Tomé isto seria muito complicado.

    • Pão com Chouriço

      2 de Maio de 2014 as 22:59

      Esta proposta seria um grande desafio para o país se houvesse líderes comprometidos com o desenvolvimento do país. Por isso mesmo é que não passa de uma mera intenção. Depois do diálogo nacional os partidos reuniriam, conversavam e apresentavam propostas que pudessem viabilizar este interesse de fusão. Mas como as coisas funcionam aqui é difícil isto acontecer. Só existe interesses. Toda a gente quer ser primeiro-ministro e presidente. Ninguém é humilde para reconhecer que o outro tem melhores condições para ocupar o cargo do que ele. Todos se acham importantes. Até palaiês são ministros. Por isso eu não vejo viabilidade nesta proposta.

  20. Catita

    3 de Maio de 2014 as 12:20

    Isto é uma opção que seria bemvinda para outros países mas para S.Tomé isto é uma irealidade. Estes políticos só estam interessados nos seus problemas e não querem saber do povo pra nada. Como é possível um país pequeno com tantos partidos. Como é possível partidos políticos serem propriedade privada de certas pessoas. Este país dificlmente ter concerto.

  21. anastasia

    3 de Maio de 2014 as 23:00

    muito bom

    [img]http://www.telanon.info/wp-content/uploads/2014/05/sradelino-cassandra11.jpg[/img]

    • Morcego

      4 de Maio de 2014 as 9:42

      Meu caro, continua assim. Boa reflexão.
      Abraços

    • Lagaia

      4 de Maio de 2014 as 10:39

      Onde é que está o Patrice Trovoada, minha gente?! Ele já chegou ao país ou ainda continua fora? Como é possível tanta cara de pau para este senhor aparecer agora a dizer que vem para o país para concorrer às eleições. Só interessa este senhor as eleições? Oh, sinceramente…

      • Feira de Ponto

        4 de Maio de 2014 as 16:18

        Há muita gente que está convencida que o ADI vai ganhar as próximas eleições. Eu só vos digo: cuidado. Muito cuidado. Andem nos vários distritos e perguntem as pessoas o que acham sobre isto. Cuidado! Cuidado! Cuidado!
        Eu não sei não. As pessoas só são enganadas uma única vez. Toda a gente sabe das promessas que o patrioce Trovoada fez antes das eleições anteriores. Se ele vier para estas eleições com o mesmo truque que ele utilizou nas anteriores ele vai ser desmascarado e sofrerá as consequências. Isto vai doer.
        Além disso ele está fora do país e provavelmente não tem bem a idfeia daquilo que está a acontecer cá npo país ou alguém anda a dar ele informações erradas. Eu quero ver a maioria absoluta com que ele vai ganhar as próximas eleições legislativas.
        Dizem por ai que ele está feito com o Rafael Branco para coligarem prejudicando o MLSTP. As pessoas já se aperceberam deste truque. O tiro vai lhes sair pela culatra.

        • Rubi

          5 de Maio de 2014 as 9:36

          Este país está entregue aos bichos. Não há nada a fazer. Nem Patrice Trovoada, nem ADI, nem MLSTP, nem PCD, nem MDFM nem nada. Nenhum destes partidos quer fazer nada por este povo e este país. Só estão interessados nos seus votos para irem para o governo resolver os seus problemas pessoais.

      • fruta

        6 de Maio de 2014 as 0:24

        Seria bom que as pessoas fizessem comentários com lógica ou então felicitar o autor pelo artigo, como miutos têm feito. Agora escusem de estar ai a fazer comentários deprimentes.

        Aproveito a ocasião para felicitar o autor pela refexão.

        xD

  22. fruta

    6 de Maio de 2014 as 0:25

    Muitos, queria eu dizer.

  23. manuel soares

    6 de Maio de 2014 as 10:44

    Meu caro Adelino Cassandra , bonito texto, mas muito temposinceramente muito tempo de leitura, tens que ser mais conciso e prático, tocaste na ferida mas falar dos políticos sãotomenses é falar na miséria económica, financeira e mental de uma nação.
    Que político? Que sapiência? Que experiência durante este 39 anos?
    Presidencialismo nem o quero ver , com quem?
    Sistema político foi -nos imposto e agora não temos como fazer, as conjecturas não nos deixa nem nos permite qualquer aventura política.
    Que venha mais cinco partidos que o nosso sistema absorve-os à todos . Um bem haja!

  24. Martelo da Justiça

    9 de Maio de 2014 as 16:46

    Concordo. O Senhor Adelino deve fazer esforço de produzir textos mais curtos para não cansar muito os leitores. Ficamos a espera de mais reflexões dele. Ele deve continuar a dizer toda a verdade com a qualidade que o caracteriza.

  25. pascoal carvalho

    11 de Maio de 2014 as 11:25

    desta reflexão, era pertinente que todos tirassemos ilações. apesar destar estar numa publicação pouco conveniente a todos toca e merece devida atenção.

  26. Barão de Água Izé

    11 de Maio de 2014 as 17:06

    Artigo bem elaborado, mas não vi referências à Economia. No chamado “Diálogo Nacional”, a coitada Economia também esteve de lado.
    Não é a politica que cria riqueza para exportação.
    Escrever bem em politica é relativamente fácil.
    E a Economia?
    Muitos partidos tem STP. Mas qual a sua ideologia, incluindo os recém-nascidos?
    Apoiam ainda a politica económica nascida da Independência ou querem arriscar num novo modelo?
    O Presidencialismo (democrático; Revisão da Constituição, novo modelo para a Economia que não assente nas Nacionalizações, e novo Código Penal que se aplique também aos políticos, é fundamental para o renascer da Nação SãoTomense.

  27. pascoa

    13 de Maio de 2014 as 10:50

    Caro Cassandra

    Não tenho por hábito fazer comentários no Téla Nom, mas leio todos os seus artigos e já tinha uma dívida para consigo.

    Quero agradecer-lhe pelas reflexões profundas que tem feito e por partilha-las com os leitores.

    No nosso país todos acham que podem escrever, mas na verdade são muitos os disparates com que somos brindados, e raros são aqueles que escrevem bem.

    Espero um dia conhecê-lo pessoalmente, muito obrigada pelos seus artigos

  28. Dêçu uanga ê na patxi fá

    9 de Setembro de 2014 as 8:20

    Caros amigos leitores desta crónica não vamos aproveitar o espaço para fazer politica, mas sim queremos ideias renováveis com o sentido de inovar este espaço que tanto queremos.
    Agora se este ou aquele dirigente se encontra ausente do país é o problema do mesmo.´
    Só o dia 12 de Outubro vai decidir o destino desse país.

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