Opinião

(5/8) STP : Qque Futuro?

(Mau Humor Estudantil: Quando a escrita se transforma na única forma de alimentar as esperanças)

OBS: este trabalho de críticas e pontos de vista pessoais de um estudante santomense, foi escrito no início da década de noventa, enquanto estudante universitário em Kharcov, Ucrânia – Ex-União Soviética. O fato de ter sido manuscrito, obrigou a que se tornasse necessário a sua digitalização, o que foi feito paulatinamente. Contém 62 páginas e para que a leitura do mesmo não seja, por isso, muito enfadonha, esta publicação, utilizando este espaço deste jornal digital, é feita de forma faseada em 8 unidades (bibliografia, introdução e que fazer?, pesca e pecuária, turismo, desporto, cultura, ensino superior, economia e política), sendo que desta vez é publicada a unidade 5/8 que compreende A CULTURA e OS AGRUPAMENTOS CULTURAIS. Já foram feitas quatro publicações, sendo: 1/8 – 18-10-2023 (https://www.telanon.info/politica/2023/10/18/42113/sao-tome-e-principe-que-futuro-3/) 2/8 – 15-11-2023 (https://www.telanon.info/sociedade/2023/11/15/42377/stp-que-futuro-mau-humor-estudantil/) 3/8 – 14-12-2023 (https://www.telanon.info/suplemento/opiniao/2023/12/14/42714/3-8-stp-que-futuro-mau-humor-estudantil/) 4/8 – 09-02-2024 (https://www.telanon.info/suplemento/opiniao/2024/02/09/43263/4-8-sao-tome-e-principe-que-futuro/)
 

ÍNDICE

O MEU EU.. 2

INTRODUÇÃO.. 4

I. QUE FAZER?. 6

II. A PESCA.. 13

III. A PECUÁRIA.. 16

IV. O TURISMO… 18

IV.1. O Desporto. 23

IV.1.1. A Associação dos Clubes desportivos. 27

IV.2. A Cultura. 32 – 2

IV.2.1. Os agrupamentos culturais. 33 – 2

IV.3. O Ensino Superior como grande vítima. 35

IV.3.1. A contribuição dos estudantes no desenvolvimento do turismo. 36

IV.3.1.1. Organização Estudantil 43

V. ECONOMIA.. 45

V.1. Sector energético. 46

V.1.1. Hidroenergia. 47

V.1.2. Fornecimento de água e energia eléctrica. 50

V.2. Outros assuntos. 52

V.2.1. Centro de aconselhamento para investimentos. 53

V.2.2. Protecção do ambiente. 54

VI. POLÍTICA.. 57

VI.1. Exemplos dos efeitos negativos dum regime (guarda-costas) 57

VI.2. A Censura. 59

VI.3. Sistema de governação para STEP. 60

IV.2. A Cultura

Paralelamente ao desporto, a cultura é também das actividades destinadas a participar no desenvolvimento turístico, mas já de forma mais directa, servindo-se de regalo, recreação (artesanato, folclore e grupos musicais) e moral hospitaleira (intelecto, respeito pela clientela e o público).

A cultura, do meu ponto de vista, pode ser vista tanto no domínio das heranças dos hábitos verificados ao longo das várias gerações, como no domínio da intelectualidade.

No domínio das heranças, pode-se dizer que a nossa cultura é também representada pelos grupos folclóricos, artesãos, agrupamentos musicais e outras actividades que habitualmente participam na recreação.

A sobrevivência, conservação e desenvolvimento dessas actividades bem como toda a vida hereditária em STEP vai depender de se o Estado decide apoiá-los agora.

Antes de 12 de Julho de 1975 os grupos folclóricos, assim como agrupamentos musicais participavam em séries de concursos premiados e organizados pelo governo colonial, o que não deixava de dar a sua contribuição ao desenvolvimento dessa parte importante do nosso modo de ser.

Hoje, é ainda mais importante que o Estado passe a desenvolver tais concursos e com maior frequência.

Sendo um bem do Estado, é então a este quem deve caber a iniciativa de vitalizar o desenvolvimento de acções recreativas.

Entretanto, os nossos empresários, principalmente os do domínio turístico, devem também ser chamados a dar o seu contributo nesse sentido, como potenciais beneficiários dum turismo sadio.

Paralelamente à incapacidade do país em importar artigos musicais, a desorganização dos próprios agrupamentos musicais é também factor dum não desenvolvimento adequado dos mesmos.

IV.2.1. Os agrupamentos culturais

Muitos dos nossos agrupamentos nasceram antes de muitos milhares de santomenses. Porém, entre esses milhares de santomenses, muitos já conseguiram possuir uma casa própria. Infelizmente, nenhum dos agrupamentos musicais tem sede própria. Todos existem como autênticos nómadas. Porquê? Será que durante todo o tempo da sua existência, com todos os altos e baixos obtidos, tais agrupamentos não conseguiram meios suficientes que lhes permitissem a construção de sedes próprias?

Conseguiram. Conseguiram e bem. Só que entre os meios conseguidos ou capazes de conseguir, e a construção duma sede própria, se encontra a falta de organização.

Não sendo a ausência da organização, ainda que não tivessem conseguido meios próprios para a construção da sede, poderiam recorrer a créditos bancários.

Os agrupamentos musicais em STEP deparam-se com grandes obstáculos no caminho do desenvolvimento principalmente devido ao facto de não possuírem um dono, nem terem sido capazes de criar uma sociedade de gerência devidamente legalizada. Deste modo, quaisquer fundos obtidos, através da realização das variadíssimas actividades musicais ao longo dos tempos, imagino que são automaticamente distribuídos entre os membros, de tal forma que todos devem receber a sua parte e que ninguém fique a perder. Contudo, podem separar um valor qualquer como fundo do agrupamento. Mas como esse fundo não tem fundamento legal, certamente que o valor separado tem sido de forma muito arcaica e arbitrária, facto que tem justificado vários queixumes de desvio de fundos por parte de um dos dirigentes, o que quantas vezes já conduziu à paralisação completa do agrupamento, sem que o considerado culpado pudesse ser legalmente julgado, por falta de justificação.

Para evitar tudo isso e permitir um desenvolvimento adequado desses agrupamentos, não deve haver nada mais importante do que se organizarem em forma de autênticas sociedades de quotas de responsabilidade ou em propriedades individuais ou ainda criando sociedades exclusivamente para a sua gerência.

A ausência de uma escola musical é igualmente um factor negativo ao desenvolvimento desta actividade à uma escala maior. Creio que os nossos musicantes das Forças Armadas e da Polícia poderão ter um papel significativo no desenvolvimento da intelectualidade musical nacional.

Por seu lado, quando se olhar a cultura no domínio da intelectualidade, será fácil anotar que as circunstâncias estão a jogar o seu papel de extrema negatividade neste sentido.

É escusado falar da intelectualidade santomense enquanto os estudantes de formação superior no exterior continuarem a ser vítimas do desinteresse e irresponsabilidade estatais e de uma política mal orientada ou mesmo sem orientação alguma em relação ao ensino superior.

Aos estudantes no exterior não é prestada a mínima atenção, aos recém-formados regressados não se liga interesse.

Tanto mais que, segundo informações vindas de S. Tomé, o salário mensal de um técnico de formação superior não é suficiente para comprar um par de calçados ou uma camisa (1993).

O quê?

O Estado tornou-se tão pobre que nem possui nos seus cofres esse valor para fazer salários a meia dúzia de novos quadros que regressam? Impossível! Absolutamente impossível!

Devemos inventar um novo modelo orçamental a fim de resolvermos tal questão.

A responsabilidade estatal em relação aos seus estudantes, em qualquer parte do mundo, sempre se mostrou necessária, se bem que o Estado santomense atribuiu a isso muito pouca importância e interesse.

Estabelecendo comparação só com o caso da ex-URSS onde me encontro inserido, devo dizer que uma atenção estatal aos estudantes nestas paragens é absolutamente indispensável.

Sabemos perfeitamente quão pobre é o estado e, às vezes, durante ligeiras trocas de impressão entre conterrâneos, admiramos de como o país consegue sobreviver.

Entretanto, há casos que nem sempre implicam mexer nos cofres do Estado. Devo por isso simplesmente repetir que a moral estatal e o interesse deste em se responsabilizar, pode sobrepor a muitos encargos financeiros, poupando os cofres do Estado: casos concretos de alguns países que conseguiram que seus estudantes cá (União-Soviética) fossem beneficiados com valores mensais compreendidos entre 100 e 150 dólares americanos não pagos pelos respectivos cofres do Estado, mas por organizações internacionais ou outros governos, tomando em consideração o desenlace da extinção da URSS.

Esses países são de igual debilidade económica como STEP, mas pelo menos demonstraram a moral estatal e o interesse em se responsabilizar por alguma coisa. Em contrapartida, evidenciaram a poupança dos seus cofres e salvaram seus estudantes.

De que espera o estado santomense? De que esperam os governantes santomenses? Onde se meteu a diplomacia santomense?

Antes do desmoronamento da URSS e do bloco socialista, STEP era anualmente beneficiado com várias dezenas de bolsas de estudo oferecidas pelo tal bloco, o que permitia que, de qualquer modo, o país se sentisse livre desse peso. Hoje, depois desse infeliz desmoronamento, para onde STEP tem feito evacuar os seus candidatos a formação?

Quem se ofereceu para cobrir tal vazio? Ou que tem feito a direcção do país para cobrir esse vazio?

Certamente que esses candidatos têm se amontoados no país. Certamente que os mesmos têm-se sentido insultados, na imperspectiva de poderem ver-se materializados.

Que futuro? Que futuro para a educação em STEP?

A menos que a diplomacia santomense, se é que existe, se faça valer e tente, através de novos contratos, restabelecer os acordos anteriores com o dito ex-bloco socialista e/ou com outros potenciais formadores?

E talvez que nestes actos a nossa marítima zona económica exclusiva possa nos servir de bastião?

Ou talvez ainda que em STEP se edifique centro ou centros de formação superior?

Só que tenho medo! Tenho medo que tais edificações não venham a se emergir em insucessos e puro fracasso.

Sim! De acordo com a miserável atenção que se tem hoje prestado à educação, é lógico prever um fracasso absoluto na edificação de pelo menos um único centro de formação superior em STEP.

O dinheiro que o estado pode gastar hoje com a evacuação de finalistas e manutenção de estudantes no exterior vem a ser muitas vezes inferior à soma a utilizar na construção, apetrechamento e manutenção de uma instituição polivalente de formação. O salário mensal dum único catedrático estrangeiro será mil vezes superior ao valor anual para o estabelecimento de vários estudantes no estrangeiro.

Efectivamente que STEP, como país soberano, até pode-se mesmo dizer que é uma vergonha o país não possuir qualquer centro de formação superior. Mas, demagogia à parte. Antes de tudo, o Estado deve modificar o seu ponto de vista, o seu modo de actuar em relação aos estudantes hoje no exterior, em relação aos recém-formados regressados, em relação aos finalistas no país hoje. Além disso, como justificativo do supremo interesse estatal para com a educação e os diferentes níveis de ensino, o Estado deve oferecer melhor tratamento aos professores nacionais de hoje, criando neles esperança por um futuro pessoal melhor.

Por outro lado, que bases foram ou estão sendo criadas para o surgimento no país de verdadeiros e interessados professores académicos? Todos sabemos como os santomenses tendem a fugir a educação.

Sim! Tenho medo! Tenho medo que um centro de formação superior em STEP venha a estar repleto de peseudo-docentes constituídos por quadros recém-formados ou sem qualquer capacidade de docência académica só porque queremos ter centro de formação superior no país.

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